
Encontro-me em uma situação estável, relativamente confortável, mas sozinho...
Entrei em uma super crise esta semana. Já havia comentado o caso de uma amiga que havia separado, uma morte anunciada… Estes dias, conversando com ela e um casal amigo, sobre a separação e “otras cositas más”, eles caíram sobre mim: Artur, você é um cara que só se sente bem casado, disseram. E aí o foco da estória mudou para o meu quintal.
Sim. Eu assumi que uma relação afetiva estável e significativa é importante para mim. Fundante, mas não fundamental para minha existência. A verdade é que “casado” sinto-me mais confortável, seguro. Mais feliz? Não necessariamente, visto que felicidade é constructo individual, contingencial, mas, por que não dizer que, em geral, sim…
Bem, o fato é que, para mim, o outro significativo é importante. As eternas discussões sobre carreira, sucesso profissional, amigos, família entre outros fatores como importantes para a vida de um homem choveram em nosso colóquio. Daí ficou aquela sensação de “culpa mal resolvida”: meu Deus, eles perceberam o que nem eu percebia… …valorizo demais uma relação afetiva e, de repente, é por isso a falta de sentidos em outras áreas da vida.
Fui digerindo aos poucos o “soco na boca do estômago”. Há algumas coisas sobre as quais acabei pensando… Os outros aspectos de minha vida estão relativamente bem resolvidos. Uma estabilidade angustiante, eu diria, às vezes. Mas o trabalho vai bem, é agradável e se suas atividades per si não são tão estimulantes, as discussões e o contato com os alunos o são. Adoro ser professor e isso, de fato, me energiza e me enriquece.
Família e amigos estão bem. Tenho uma boa estrutura onde consigo lidar bem com todos. Fico feliz em não ter relações de cobrança entre amigos. Claro que uma família latina sempre é permeada pela manipulação dos pais, avós, tios e etc… Mesmo que façamos TUDO, sempre os “ancestrais” da última geração nos fazem sentir a culpa por algo que ainda não fizemos. (rsrsrsrs). Acho que por esta vida em uma família multifacetada e divertida me deram a clareza de perceber seres manipuladores a quilômetros de distância!
Minha vida sempre (o)correu com muita naturalidade. As coisas nunca foram forçadas. Trabalho, emprego, amigos, relações familiares sempre foram se dando naturalmente (claro que nem sempre de forma harmoniosa), mas natural. Até minhas descobertas sexuais ocorreram de forma suave. Nenhum drama, exceto as primeiras percepções de ser um “ser diferente” e sem modelos preexistentes visíveis. Daí, quando percebo que, no portal de entrada para minha quarta década de existência, encontro-me em uma situação estável, relativamente confortável, mas sozinho, sinto o choque!
Não penso em sair na próxima passeata de “solteiros querendo namorar”. Tampouco me vejo beijando o primeiro sapo e imaginando que ele transmutará em príncipe. Mas, sem dúvida, gostaria de reencontrar o encantamento de minhas primeiras relações. A inocência dos primeiros amores. O desejo que me arrepiava como nos primeiros toques (explico: praticamente não tenho cócegas, quando sou tocado é prazeroso mas, quando sou tocado e arrepio… é ELE – rsrsrs).
A ver… A contagem regressiva para a quarta década prossegue e como dizem que a vida começa aos 40… Então…

















