Publicado por: Arthur | 24 janeiro, 2010

Um olhar

Revendo umas coisas antigas, deparei-me com esta:

Olhar

...eu te invento nesse olhar...

“…eu te vejo mais fundo do que me vê, porque eu te invento nesse olhar, porque você se torna meu invento, porque depois de olhar muito dentro eu prescindo da imagem e o meu olhar repleto basta, como seu fosse cego, mas tivesse guardadas todas as imagens: um cego vê mais que um homem comum porque não precisa olhar para fora de si, porque o que ele deseja ver está completamente dentro e é inteiramente seu”.

Caio Fernando Abreu
“A chave e a porta”

Como não me sentir tocado por esta compreensão complexa do “olhar do outro”?

Publicado por: Arthur | 21 janeiro, 2010

Astolfo, Demétrius e Trujilo.

Eu adoro Hipos!!!

Tenho vários de pelúcia, pequenininhos. Claro, todos batizados: Demétrius (roxo), Trujilo (cinza) e Astolfo (laranja). Ok, tenho uma certa predileção por nomes “incomuns”, mas bem que ele combinam com meus Hipos!!!

Agora sério: como não achar o vídeo abaixo simpático?
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Ok, eu também sou fã de cachorros! ;)

Publicado por: Arthur | 20 janeiro, 2010

O belo…

O que é mesmo “beleza”?

Isto que vemos e cremos belo, é realmente nossa percepção, ou uma mera ilusão criada a partir de definições de um grande “outro”?
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Beleza…

Publicado por: Arthur | 14 janeiro, 2010

Expressão

Expressão

...é preciso que o homem e sua mensagem sejam revelados.

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Seja em palavras ou cores, em notas musicais ou em mármore, por trás das máscaras pintadas dos personagens de uma peça de Ésquilo, ou através dos entalhes que ornamentam a flauta rústica de um camponês siciliano, é preciso que o homem e sua mensagem sejam revelados.

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Oscar Wilde

Publicado por: Arthur | 10 janeiro, 2010

O Desconforto…

A náusea

...um tremendo mal estar...

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Nós já estávamos juntos havia quase três anos. Não vivíamos juntos, ainda, mas nosso contato era diário e passávamos muitas noites na casa um do outro. Ele tinha acabado uma relação pouco antes de iniciarmos a nossa. Depois eu soube que no começo, fôramos um trio (!) e apenas depois de dois ou três meses é que ele, de fato, decidiu definir sua situação com a antiga paixão.

O que me deixava desconfortável era a situação dele e da antiga paixão trabalharem juntos, no mesmo departamento de ma faculdade. O fato de eles continuarem amigos não me afetava, até porque eu achava comum este tipo de comportamento, visto que alguns de meus antigos namorados também se tornaram amigos, ou colegas. Entretanto, o trabalho diário e os contatos por muito e muito tempo deixavam-me desconfortável mesmo. Não eram ciúmes, era algo mais como se meu sentimento de posse sobre o tempo dele fosse profundamente abalado, ou seja, o tempo livre dele não era, nem poderia ser tão meu, pois ele o dedicava ao amigo… A recíproca não era verdadeira, pois eu sempre estava ali, disponível, dedicado a ele e a nossa relação.

Em alguns casos conversei com ele sobre isso e recebi os típicos comentários: “Arthur, está tudo acabado entre ele e eu… Você é meu companheiro agora… Você está apenas com ciúmes… Pare de pensar nisso!”. Tantas foram minhas tentativas que eu mesmo comecei a me achar um chato! E pensava se, de fato, não estava “procurando cabelo em ovo”. Parei de pensar sobre o assunto, mas o desconforto me surgia de quando em quando. Com o tempo, eles pararam de se ver com tanta frequência e eu me convenci que realmente exagerara no princípio.

Passou-se mais um tempo e quase chegando ao nosso terceiro ano juntos, ele me comentou que em uma viagem de treinamento, o amigo iria com ele. Senti o fatídico desconforto outra vez, mas considerando tanta chatice que eu já havia demonstrado, não comentei nada.

Foram… No segundo dia da viagem ele me liga pela manhã cedo, despertando-me. Pensei em algo sério, algum problema de saúde, acidente, etc. Mas era apenas para dizer que sentia saudades. Achei despropositado, mas assumi que também era estranho passar dois dias sem vê-lo e estava saudoso, também.

Dois dias depois, de volta da viagem, marcamos nosso reencontro em um jantar em minha casa. Ele chegou pontualmente às oito horas e minha saudade, meu desejo o viu como o homem mais perfeito do mundo. Abracei-o, beijei-o e durante o beijo, senti sua frieza. Foi um balde de água fria e aquela tal sensação de desconforto de anos atrás se instaurou. Afastei-me e perguntei: “o que houve?”. Ele contou…

Falou que na primeira noite, acordou com um beijo do amigo, ao seu lado na cama. Disse que a princípio não entendeu e quando percebeu o que acontecia, parou, acendeu as luzes e conversaram. Disse-me que conversaram muito e deixou claro para o amigo que aquilo havia acabado. Assumiu para mim que o amigo lhe falou que ainda não tinha aceito o fato do final de sua relação.

No momento, não pensei nada. Não senti dor, não senti ciúmes. Senti um tremendo mal estar. Náuseas, ânsia de vômito forte. Corri para o banheiro e ele pensou que eu ia chorar. Ficou chocado quando me viu vomitando. Tentou ajudar-me e não lhe permiti que me tocasse. Sua pele me queimava, aumentava o mal estar. Lavei o rosto, escovei os dentes, respirei fundo, respirei fundo, respirei… Ele estava chorando ao meu lado. Eu continuava enjoado…

Fui para sala, sentei-me em minha cadeira preferida. Continuei respirando, tentando encontrar um ritmo. Ele estava lá, ao lado da porta, chorando.

Conversamos… Não sentia dor, apenas nojo. Com o tempo, o nojo foi sendo substituído por pena, atenção, compreensão. Entendi o fato e preferi não pensar mais naquilo. Envenenava-me pensando. Ele percebeu o que eu queria dizer desde o princípio… Eu nunca desconfiara dele. Nossa relação era forte o suficiente para percebermos a importância de sermos verdadeiros um com o outro. Meu problema era com o outro. Ele não compartilhava de nossa cumplicidade, de nossa confiança, de nosso sentimento. Ele poderia afetar-nos, por conhecer as fraquezas de meu companheiro.

Nossa relação ficou abalada. Mas reconstruímos a confiança e ainda estivemos juntos (inclusive dividindo a mesma casa) por mais quatro anos. Não senti ciúmes naquele momento. Senti um profundo nojo, não dele, mas do corpo do outro próximo ao dele, da saliva do outro, mesclada com a dele, do cheiro do outro, profanando seu corpo. Só o tempo me permitiu , de fato, compreender e esquecer.

Publicado por: Arthur | 5 janeiro, 2010

Fantasias para 2010

Nada melhor que o começo de um novo ano para criar novas expectativas, novas promessas, novos sonhos e, porque não, novas fantasias.

Quando eu penso em fantasias, sempre lembro o livro de Peter Benchley, “Tubarão”. Sim, aquele que deu origem ao filme (que teve uma série de sequencias…). No livro, não lembro se no filme também, a esposa do chefe de polícia, resolve ter um rápido caso com um de seus antigos colegas do tempo de escola.

Assim, ela o seduz falando sobre uma fantasia: a de fazer amor com ele. O mais interessante de tudo é o fato de ele não entrar na fantasia, nem no jogo de sedução. Sim, ele a leva para a cama, mas de forma totalmente mecânica e desinteressada, repetindo sempre: “tudo é possível em uma fantasia”. Claro que isso a frustra completamente e acaba com o seguimento das fantasias da “moça“.

Eu, por outro lado, encaro fantasias sempre como situações de encanto, de ideais, de prazeres inusitados. Assim, qual minha surpresa quando encontrei uma propaganda de sabão em pó, que traz uma série de fantasias juntinhas e cantando “Love Lifts us Up Where We Belong”.

Adorei!!!

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Que 2010 seja cheio (também desse tipo) de fantasias realizadas!

Publicado por: Arthur | 4 janeiro, 2010

Parte de um todo

Parte de algo

...sou uma parte de um todo.

Toda a gente
Marie Sheppard Williams

Eu estava em uma parada de ônibus
numa destas tardes, esperando pelo “2″.
Um tipo mais velho esperava também.
Olhei-o com atenção.
Ele captou o meu olhar e abriu-me um
Largo sorriso onde faltavam alguns dentes.
Queres assinar o meu casaco? – disse ele.
Estendeu-me logo uma caneta.
Trazia vestido um casaco de lona imundo
que exibia assinaturas por todo
o lado, centenas delas, talvez milhares.
Quero ver se apanho todo mundo – disse ele.
Assinei na pequena
superfície de um dos bolsos.
Por vezes me lembro:
sou uma parte de um todo.

Publicado por: Arthur | 23 dezembro, 2009

Feliz Natal

Para mim, não dá para esquecer:

Quero ver você não chorar,
não olhar pra trás
nem se arrepender do que faz

Quero ver o amor vencer,
mas se a dor nascer
você resistir e sorrir

Se você pode ser assim,
tão enorme assim
eu vou crer

Que o Natal existe,
que ninguém é triste,
que no mundo há sempre amor

Bom Natal,
um Feliz Natal,
muito amor e paz pra você

Pra você…

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E se você é como eu, que acredita em Papai Noel, siga a entrega dos presentes na noite de Natal através da página oficial do NORAD.

Feliz Natal!

Publicado por: Arthur | 23 dezembro, 2009

Outra vez

Preciso observar as estrelas

Preciso observar as estrelas

Há tempos que não paro para ler (sentir) poesia. Pelo menos é menos que o tempo que não olho para as estrelas, à noite, apagadas pela poluição e pelas luzes da cidade. E daí dá uma vontade de parar um pouco e sentir, de novo, as coisas bonitas do passado. Mas a vida segue escorrendo entre os dedos como a fina areia branca da praia. E por mais que me esforce, não consigo deter esta fuga de grãos…

Mas pondo o pé na realidade, sumi mesmo! Viajei, as coisas loucas do trabalho e dos estudos me tiraram o tempo das estrelas, das poesias de Voluntas e não consegui deter a areia. De qualquer forma sou cônscio que preciso parar um pouquinho e rever estas coisas da vida.

Respirar um pouco e voltar para meus desabafos, meus suspiros, meus respiros.

Enfim, de volta…

Arthur

Publicado por: Arthur | 21 dezembro, 2009

Para onde ir?

Tu eras o vento
Olav H. Hange

Para onde me levas?

Para onde me levas?

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Sou um barco
sem vento.
Tu eras o vento.
Era esse o rumo que eu devia seguir?
A quem importa o rumo
com um vento assim!

Publicado por: Arthur | 24 agosto, 2009

Contagem regressiva

palavras

Encontro-me em uma situação estável, relativamente confortável, mas sozinho...

Entrei em uma super crise esta semana. Já havia comentado o caso de uma amiga que havia separado, uma morte anunciada… Estes dias, conversando com ela e um casal amigo, sobre a separação e “otras cositas más”, eles caíram sobre mim: Artur, você é um cara que só se sente bem casado, disseram. E aí o foco da estória mudou para o meu quintal.

Sim. Eu assumi que uma relação afetiva estável e significativa é importante para mim. Fundante, mas não fundamental para minha existência. A verdade é que “casado” sinto-me mais confortável, seguro. Mais feliz? Não necessariamente, visto que felicidade é constructo individual, contingencial, mas, por que não dizer que, em geral, sim…

Bem, o fato é que, para mim, o outro significativo é importante. As eternas discussões sobre carreira, sucesso profissional, amigos, família entre outros fatores como importantes para a vida de um homem choveram em nosso colóquio. Daí ficou aquela sensação de “culpa mal resolvida”: meu Deus, eles perceberam o que nem eu percebia… …valorizo demais uma relação afetiva e, de repente, é por isso a falta de sentidos em outras áreas da vida.

Fui digerindo aos poucos o “soco na boca do estômago”. Há algumas coisas sobre as quais acabei pensando… Os outros aspectos de minha vida estão relativamente bem resolvidos. Uma estabilidade angustiante, eu diria, às vezes. Mas o trabalho vai bem, é agradável e se suas atividades per si não são tão estimulantes, as discussões e o contato com os alunos o são. Adoro ser professor e isso, de fato, me energiza e me enriquece.

Família e amigos estão bem. Tenho uma boa estrutura onde consigo lidar bem com todos. Fico feliz em não ter relações de cobrança entre amigos. Claro que uma família latina sempre é permeada pela manipulação dos pais, avós, tios e etc… Mesmo que façamos TUDO, sempre os “ancestrais” da última geração nos fazem sentir a culpa por algo que ainda não fizemos. (rsrsrsrs). Acho que por esta vida em uma família multifacetada e divertida me deram a clareza de perceber seres manipuladores a quilômetros de distância!

Minha vida sempre (o)correu com muita naturalidade. As coisas nunca foram forçadas. Trabalho, emprego, amigos, relações familiares sempre foram se dando naturalmente (claro que nem sempre de forma harmoniosa), mas natural. Até minhas descobertas sexuais ocorreram de forma suave. Nenhum drama, exceto as primeiras percepções de ser um “ser diferente” e sem modelos preexistentes visíveis. Daí, quando percebo que, no portal de entrada para minha quarta década de existência, encontro-me em uma situação estável, relativamente confortável, mas sozinho, sinto o choque!

Não penso em sair na próxima passeata de “solteiros querendo namorar”. Tampouco me vejo beijando o primeiro sapo e imaginando que ele transmutará em príncipe. Mas, sem dúvida, gostaria de reencontrar o encantamento de minhas primeiras relações. A inocência dos primeiros amores. O desejo que me arrepiava como nos primeiros toques (explico: praticamente não tenho cócegas, quando sou tocado é prazeroso mas, quando sou tocado e arrepio… é ELE – rsrsrs).

A ver… A contagem regressiva para a quarta década prossegue e como dizem que a vida começa aos 40… Então…

Publicado por: Arthur | 19 agosto, 2009

Sobre as cinzas

É curioso como uma cultura conservadora e impregnada de religiosidade como a hispânica, tenha permitido o casamento Gay na atualidade. Nem França, nem Inglaterra o fizeram…

Uma das coisas interessantes em assistir “Little Ashes” é a possibilidade de ver um momento da história onde Salvador Dalí, García Lorca e Luis Buñuel se encontram. A paixão de Lorca e Dalí é impressionante, em especial por causa da eterna negação do pintor catalão.

A cena abaixo, uma beleza, em minha opinião, mostra um beijo entre os dois artistas espanhóis. As imagens e a sensibilidade da cena são fantásticas.

Abaixo, o trailer oficial do filme:

Little Ashes

Publicado por: Arthur | 11 agosto, 2009

Procurando um abraço

Lembrar de algumas de situações antigas me traz de volta uma das músicas mais belas que conheço de Ney Matogrosso (composta por Cazuza e Frejat)

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Consolo...

Desculpa pra um abraço ou um consolo...

Este clip está no YouTube. Infelizmente não pode ser incorporado…
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Poema
Ney Matogrosso
Composição: Cazuza / Frejat

Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás

Publicado por: Arthur | 10 agosto, 2009

Por que é sábado

O que pasou...

O que pasou...

Minha última relação acabou a mais ou menos um ano atrás. Éramos amigos e ao tentarmos levar a situação para uma relação afetiva: não deu certo. O pior é que quando tentamos foi que vimos que, mesmo “amigos”, nós nos conhecíamos muito pouco. O choque de ir descobrindo o outro ao longo de momentos de mais intimidade foi crescendo e tornando a relação insustentável.

Depois do fim, tentamos manter a amizade, mas acabamos distanciando-nos e perdendo o contato quase diário que sempre tínhamos. Chegou um momento em que paramos de nos ver, paramos as ligações e creio que, por uma questão de respeito ao tempo um do outro, afastamo-nos realmente.

E na tarde de sábado, como um raio, partido do céu, ele materializa-se na minha frente. Um choque! Eu não soube bem o que fazer, o que dizer e, atônito, o acolhi em um abraço e aceitei seu beijo (no rosto). Conversamos, tempos e tempos. Relembramos os desgastes que passamos e como, pouco a pouco, fomos nos perdendo um do outro e de nós mesmos. Foi um momento catártico. Ele, uma pessoa calada, pôde se expor, enfim. Eu, extremamente racional, pude aceitar o fato de me deixar levar pelas emoções.

Nossa conclusão continua a mesma: somos amigos. Agora de forma mais difícil, pois vivemos situações que amigos, em geral, não passam. Meu gostar dele continua. De fato eu o amo realmente. Mas um amor realista, que não chega ao corpo. Mesmo assim, depois de conhecer alguém na cama, seus cheiros, gostos, os toques, algumas coisas ficam mexidas. Nem sempre é tão simples voltar a uma posição anterior. O que sobra de “lucro” da tarde de sábado é a certeza que temos condições de reinvestir na amizade. Que o afeto persiste, mas é a amizade o tom de nossa relação.

Publicado por: Arthur | 2 agosto, 2009

Mais relações abertas…

Os terceiros...

Os terceiros...

Eu conheço apenas um casal que “abriu a relação” e nunca aparentou “estresse”. Eles têm uma relação de mais de nove anos. Um deles é comissário de bordo e viaja sempre. É claro que eles se amam muito. A relação é bastante estável e há uma boa cumplicidade entre os dois. Neste caso, eles não buscam outras pessoas. Apenas quando acontece algo, acontece de um deles ficar com alguém. Nunca falam de problemas ou crises.

Não vejo problemas em quem espera viver uma relação aberta. Mas vejo algumas questões que devem ficar sempre muito claras: a primeira diz respeito a que ambos queiram ter uma relação aberta. Se não for assim, um cai na vida e o outro costuma nem saber das loucuras do parceiro. Não há confiança, e os sentimentos devem ser meio estranhos…

Outra coisa é ter esta posição de forma clara: ok, a relação é aberta. O que pode e como pode. Acho que é este “contrato psicológico” que define a relação, seja como for ela.

Por fim, creio que qualquer relação só se sustenta se o casal se gosta realmente. Uma relação recém-iniciada não se desenvolve se for aberta… Não há tempo para conhecer o outro, para gostar e investir neste outro, já que há terceiros que vêm e vão o tempo todo (quando não há aquele terceiro que fica…). Uma relação aberta precisa de cumplicidade e confiança dos dois. Apenas quando eu tenho a certeza que meu companheiro me ama, posso compreender o desejo dele por outro corpo que não o meu, por outra história que não a minha, por outro “desejo” diferente. Se existem incertezas, inseguranças, claro que o desejo de meu parceiro por um terceiro me abala.

Lembro de quando, há muito tempo, um colega me propôs uma noite de sexo a três. Ele, o namorado e eu. O que eu, e ele, não sabíamos era que o namorado dele estava interessado em mim. A tal noite com promessas de “prazeres inusitados” foi um tremendo fiasco! O namorado me dava toda a atenção e esquecia-se dele. Eu ficava o tempo todo direcionando a conversa e os carinhos de um para o outro e tentando me esquivar da história toda. E ele, com clara raiva de mim, mantinha-se distante… Este é o caso típico das “relações abertas” que vejo por ai.

Nunca tive a necessidade de “abrir” minhas relações para terceiros. Creio que meus companheiros também não, ou teríamos conversado sobre isso. Mas não sou parâmetro para avaliação. Sou um cara estranho. Quando gosto, esqueço do mundo. Para mim existe apenas o amado e nem chego a ver outras pessoas. Além da falta de interesse nos outros, não consigo enganar alguém (acho que é um alto grau de neurose)! Lembro de situações que só a perspectiva de alguém investir em mim, durante uma relação, já me fazia contar correndo para o parceiro. Coisa de gente esquisita! (rsrsrs)

Publicado por: Arthur | 24 julho, 2009

As relações abertas

Os terceiros...

Os terceiros...

O sonho de Carlos sempre fora morar fora do Brasil. Deixou sua cidade logo após o terminar o ensino médio (com quase 25 anos) e partiu para Madrid a convite de um conterrâneo, que morava ali já havia dois anos, trabalhando como pedreiro na construção Civil. Loiro, olhos azuis, forte pelo trabalho e Brasileiro, Carlos era um homem muito atraente para os espanhóis.

Conheceu alguns estrangeiros, namorou com alguns deles. Conseguiu um trabalho em uma construtora maior, mudou-se para Barcelona e, por mera casualidade foi parar no prédio em frente ao meu. Nunca imaginei que ele fosse brasileiro, até que o ouvi em uma “briga” com o bilheteiro da estação de metrô, sem compreender o troco, exatamente na época da mudança das Pesetas para o Euro. Carlos morava no prédio em frente ao que eu e meu companheiro morávamos. Ele alugava um quarto de uma senhora espanhola (não das mais simpáticas). Considerando nossas origens e a proximidade, Carlos começou a frequentar nossa casa e tornou-se um bom amigo.

Sentíamos muitíssimo por seu trabalho desgastante na construção civil, sempre em pequenas cidades do interior em obras intermináveis. Ele não conseguia guardar muito dinheiro, em especial porque adorava sair e ia a todas as festas gays que aconteciam na cidade. Sempre estava com um cara novo, diferente, bonito. Mas Carlos estava sempre infeliz.

Comentado que queria ir para Londres, meu companheiro o indicou para um antigo aluno seu que morava ali há muito tempo. Marcelo estava estabilizado na Inglaterra. Estudava e tinha vários trabalhos “part-time” em bares, escolas, lojas, etc. Ele gostou da possibilidade de receber Carlos e dividir seu apartamento com ele. Marcelo morava em Wimbledon, próximo a uma estação do “Tube” (metrô) e dividia um pequeno apartamento (uma antiga casa que fora dividida em quatro apartamentos) com duas brasileiras que trabalhavam como recepcionistas em eventos.

Pouco depois de Carlos chegar a Londres, Marcelo ligou para meu companheiro: estava apaixonado! Carlos era o homem de sua vida. Por seu lado Carlos dizia o mesmo. Marcelo nos convidou para o aniversário de Carlos em Londres. Era um final de semana e conseguimos um bom vôo. Ficamos hospedados na sala do apartamento e aproveitamos para flanar um pouco pela cidade (era pleno verão e as temperaturas estavam amenas, muito agradáveis). Nossos amigos viviam uma constante lua de mel.

No dia do aniversário de Carlos, Marcelo fez uma linda declaração de amor e o “pediu em casamento”. Carlos agora trabalhava em um restaurante, como garçom, e havia se adaptado bem as distantes posturas inglesas. Seu tipo físico não lhe diferenciava de um inglês qualquer, o que favorecia sua adaptação. Muitos ficavam surpresos ao saber que ele era estrangeiro.

Carlos e Marcelo viveram uma relação modelo por quase cinco anos e então, resolveram “abrir a relação”. Eles achavam que assim manteriam a cumplicidade, reacendendo a chama da paixão. Carlos me comentou que tinha regras bem claras para os terceiros: um não tinha conhecimento do “terceiro” do outro, era informado apenas que “algo havia ocorrido”; nunca saiam com um “terceiro” duas vezes e, acima de tudo, era apenas sexo!

Tudo funcionou bem nos primeiros meses, até Carlos me ligar aos prantos, falando que estava tudo acabado. Marcelo estava envolvido com um “terceiro” e ele não suportou a situação. Ia voltar ao Brasil… Depois de mais de cinco anos de relação, Carlos voltou ao Brasil arrasado. Eu já estava separado e dei-lhe o suporte que podia no momento. Hoje, Carlos voltou para Espanha, trabalha em uma construtora, não mais como pedreiro, mas organiza grupos de estrangeiros que trabalham como pedreiros, serventes, etc. Continua indo a todas as festas e diz que não quererá jamais nenhuma relação estável…

Toda esta história voltou à minha cabeça, pois meu primo, que vive uma relação estável já de quase 13 anos, ligou comentado que estava pensando em “abrir sua relação”. Qual era minha opinião? Contei-lhe a história de Carlos e dei-lhe minha opinião sincera: relação aberta, em geral, leva um (ou os dois) a conhecer alguém interessante e machucar o outro.

A meu ver, uma abrir uma relação de confiança para outras pessoas, só poderia funcionar se tudo estiver muito bem e relação tiver solidez suficiente para suportar baques. Uma relação que tem problemas e está fragilizada, se aberta, parte-se, fácil e rapidamente. Meu primo não me falou com detalhes o que tem acontecido, mas ficamos de conversar com mais calma sobre o assunto.

De qualquer forma, espero que sua solução seja a melhor possível. Eu os admiro demais e temo muito que sofram em conseqüência de um possível desgaste.

Publicado por: Arthur | 16 julho, 2009

Um presente

Falando em dia dos namorados, vi um comercial da Aussie Bum que trata do assunto. Pena que acaba tão rápido! (rsrsrsrs)

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;)

Publicado por: Arthur | 12 julho, 2009

Humildade

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Alegoria do milho

Dizem que é de Leonardo da Vinci… Não sei, mas achei verdadeira e linda!

Pouco conhecimento faz com que as pessoas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, que se sintam humildes. É assim que as espigas sem grãos erguem desdenhosamente a cabeça para o Céu, enquanto que as cheias as baixam para a terra, sua mãe.

Leonardo da Vinci

Publicado por: Arthur | 10 julho, 2009

Eterna insatisfação

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Abdicar de algumas posturas

Já comentei que tenho um amigo que sempre está preocupado com o fato de não ter um namorado. Encontrei-o há pouco tempo e o papo foi “passar o dia dos namorados sozinho”. Já faz tempo que conversamos sobre isso (estar sozinho é o chavão dele para os amigos) e, de vez em quando, acho que meu Marte fica mal aspectado com meu Mercúrio e a língua pesa…

Lembrei que ele já teve e até ainda tem pretendentes. O fato certo é que ele espera o “Príncipe”. Mas só serve se for o “Príncipe”… Sempre há senões em todos os carinhas que ele conhece. Assim, acho que por causa do Marte, acabei sendo grosseiro… Lembrei o quanto ele sempre tem dificuldades para conviver com novas pessoas. O quanto precisa olhar menos para o umbigo e mais para o mundo. O pior de tudo é que ele assume o fato! Ele compreende perfeitamente que sempre usa “desculpas” para não engatar uma relação e depois começa a reclamar de sua própria solidão (buscada!!!). Entretanto, não consegue romper com esta situação. E, claro, fiquei pensando…

Eu compreendo que o tempo (os anos) nos levam a ter mais “neuras”. Em geral dizem que o tempo nos torna mais seletivos, mas eu assumo que esta história de ser seletivo é neura mesmo! Eu, pelo menos, quando conheço alguém, e vislumbro um possível problema futuro (criatura excesso de carência, gente ultra controladora, ciumentos extremados, carinhas em armários muito fechados, etc.), começo imediatamente a avaliar benefícios e custos… Sempre os custos parecem ser enooooormes e os benefícios pouco prazerosos. Por isso acabo desistindo de muitas oportunidades de conhecer melhor algumas pessoas. Isso não implica em afastar amigos ou não oportunizar uma relação de curiosidade com o outro, mas significa a postura clara de: “relação afetiva”? Nem pensar!

E é neste ponto que pareço com ele (e aí compreendo porque dei minhas “facadas” – as tais grossuras, por causa do Marte): nos não queremos abdicar de algumas de nossas posturas. Ele não quer abdicar de seus sonhos de encontrar o “Príncipe”, sua alma gêmea e, claro, da posição de “abandonado” (que lhe rende a atenção dos amigos). Eu não quero abdicar de minha liberdade, entendida como o fato de não ter que dar satisfações a alguém. Este sempre foi um de meus maiores conflitos: “liberdade e insegurança” X “segurança e falta de liberdade” ou sejam, “voar” X “criar raízes”. Mas isso já é coisa para um outro post.

Publicado por: Arthur | 27 junho, 2009

Onde estão os palhaços?

Cadê os palhaços?

Cadê os palhaços?

E para evitar ser deserdado e expulso de uma família hispânica e ter o passaporte espanhol confiscado, é preciso aceder a alguns típicos eventos familiares, tais como Natais, Casamentos e os fatídicos aniversários infantis…

Pois bem, hoje acabei convocado para um destes típicos aniversários de criança. Meio sem graça, comprei um presente (foi dificílimo comprar um presente para o aniversariante e nenhum para mim! Descobri que ainda vive uma criança em mim! Quis comprar todos os carrinhos “Hot Wheels” da loja…) e parti para uma versão “pool party” infantil. Minha prima, a anfitriã, já havia me informado: “Arthur, será uma festa infantil, na piscina, com brincadeiras, palhaçadas e um churrasco para os adultos!”.

Chegando à festa, o aniversariante estava já imerso na piscina com todos os convidados de sua faixa etária (pelos 7 – 8 anos). Com eles, três carinhas descamisados e sarados com shortões de banho vermelhos onde se lia “ANIMAÇÃO”, escrito em letras amarelas! Ué, cadê os palhaços, perguntei. De resposta, recebi uma gargalhada da prima. “Arthur, hoje não tem mais palhaços! São os animadores de festas infantis. Supergatos, claro, pois as mães e até alguns pais, adoram!!!”.

Encarei os saradões, brincando com um bando irascível de crianças, com todo o carinho, paciência, cuidado e pensei: preciso mudar meus conceitos, esquecer os palhaços e, com certeza, ir a mais festas infantis…

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