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Onde estão os palhaços?

Cadê os palhaços?

Cadê os palhaços?

E para evitar ser deserdado e expulso de uma família hispânica e ter o passaporte espanhol confiscado, é preciso aceder a alguns típicos eventos familiares, tais como Natais, Casamentos e os fatídicos aniversários infantis…

Pois bem, hoje acabei convocado para um destes típicos aniversários de criança. Meio sem graça, comprei um presente (foi dificílimo comprar um presente para o aniversariante e nenhum para mim! Descobri que ainda vive uma criança em mim! Quis comprar todos os carrinhos “Hot Wheels” da loja…) e parti para uma versão “pool party” infantil. Minha prima, a anfitriã, já havia me informado: “Arthur, será uma festa infantil, na piscina, com brincadeiras, palhaçadas e um churrasco para os adultos!”.

Chegando à festa, o aniversariante estava já imerso na piscina com todos os convidados de sua faixa etária (pelos 7 – 8 anos). Com eles, três carinhas descamisados e sarados com shortões de banho vermelhos onde se lia “ANIMAÇÃO”, escrito em letras amarelas! Ué, cadê os palhaços, perguntei. De resposta, recebi uma gargalhada da prima. “Arthur, hoje não tem mais palhaços! São os animadores de festas infantis. Supergatos, claro, pois as mães e até alguns pais, adoram!!!”.

Encarei os saradões, brincando com um bando irascível de crianças, com todo o carinho, paciência, cuidado e pensei: preciso mudar meus conceitos, esquecer os palhaços e, com certeza, ir a mais festas infantis…

Mais noites de verão…

Colton Ford

Colton Ford

comentei sobre Colton Ford por aqui. Uma das coisas que me chamava atenção era o fato de ele estar casado com Blake Harper a anos!

Bom, para meu espanto, uma revista espanhola trouxe uma entrevista de Harper dizendo-se solteiro, no momento. Tive pena pelo possível fim da relação de dois dos meus ídolos ponô-gay da adolescência. E, por outro lado fiquei pensando: “ok, será que eu tenho chance?” (Gargalhadas histéricas!)

Abismo

Abismo

“No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar levantou-se às 5:30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo”.

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Tal como García Márquez colocou no primeiro parágrafo seu famoso “Crônica de uma morte anunciada”, creio que vemos, em nosso dia-a-dia, uma série de situações que se anunciam em nosso futuro. Fiquei com esta frase na cabeça por muito tempo e ela voltou nesta última semana quando soube de duas separações de colegas da faculdade.

Final de semestre tudo fica mais complicado, mais cheio de atividades. Fora isso, ganhei uma folga inesperada e estive afastado quase duas semanas. No retorno, segunda-feira passada descobri uma colega deprimida. Conversando, ela contou-me de sua separação do marido.

Eles estavam casados a pouco mais de um ano. Na época do casamento, muitos ficaram surpresos: eles namoravam havia anos, mas o cara nunca parecia comprometido o suficiente para o casamento. Ela, em plena crise dos “pós-trinta-e-cinco”, estava desesperada para casar-se.

Algo que aprendi em minha vida com relação a casais foi: “nunca dê uma opinião se não perguntado”. Também aprendi que “nunca devo dar minha opinião sincera a alguém que quer ouvir outra coisa”. Por estas aprendizagens, nem sempre tão facilmente digeríveis, fiquei calado e imaginei o quanto ela estaria disposta a apostar em uma relação com um cara que, claramente, não tinha uma definição clara de futuro em comum… Mas, ela era do tipo decidido e decidiu que ele a quereria… Um ano depois, separação.

Também aprendi que em momentos de depressão a pior coisa que se pode fazer com alguém é o tradicional “eu te disse, eu já sabia”. A melhor, eu não tenho a menor idéia, mas opto por ser um bom ouvido e um bom ombro.

O fato é que esta situação, aliada a outra que soube depois, trouxeram-me de volta a frase de García Márquez… São tantas as vezes em nossas vidas que sabemos que estamos entrando em uma “roubada” e mesmo assim… …entramos! Que desejo, ou que carência exagerada, nos leva a esquecer da realidade e cair de cabeça em situações loucas.

Loucuras inconsequentes me lembram a adolescência. O desejo pulsante e o desconhecido me levaram, não poucas vezes, a insanidades completamente inconsequentes. Mas o tempo passa e, dizem os neuropsicólogos, o córtex pré-frontal assume cada vez mais o controle. Por outro lado, noto que quando estamos envolvidos nestas situações, não percebemos o abismo. De fora, ele é claramente visível! Por que não aceitamos a visão dos outros? Por que não nos permitimos outros pontos de vista?

É, acho que precisamos de mais desenvolvimento do córtex pré-frontal…

Dever de casa

Pois é… Nada como fazer o “dever de casa”!

E a Microsoft ataca de “simpatizante…
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O post – O passar dos anos, lembrou-me uma poesia de Drummond:

Os ombros suportam o mundo

Os ombros suportam o mundo

Os Ombros Suportam o Mundo
Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa que venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

O passar dos anos

Decisão

Decisão

E com uma série de pequenos desgastes, fui parando aos poucos para pensar nos meus quarenta anos. Sim, devo completar quarenta ainda este ano, no finalzinho.

Eu sempre pensei em idade como marcos para algumas coisas. Aos 15 anos eu seria maduro. Aos 19, completamente independente. Aos 21 seria, além de adulto, responsável. Aos 25, profissional. Aos 30, estaria no ápice de minha beleza, fama e fortuna. Aos 35, casado, com filhos! Aos 40… Aos quarenta estaria

Nunca me pensei aos quarenta, mas o peso desta idade, especialmente na mídia brasileira sempre me assustou. Hoje, depois de conversar com uma amiga fiquei surpreso comigo. Depois de uma conversa leve, até meio divertida, ela me comentou: “Arthur, você está sem esperança! Por que está tão seco?”. E eu caí em mim.

Já há algum tempo que tenho me sentido amargo. Nada a ver com os quarenta, mas com uma incrível falta de urgência perante a vida. Surpreendentemente tenho deixado a vida acontecer. Tenho saído do meu papel de “desejante” para outro, mais desconhecido de “esperante”. Saí da postura de caçador de sonhos, de desejos e acomodei-me a uma realidade não querida: emprego estável, produção constante, aulas, pesquisa, alunos… Amigos fiéis, namoros rápidos (não por meu desejo)… E isso tudo tem me causado um grande desconforto.

Sei que para a maioria das pessoas uma vida com a estabilidade da minha seria o sonho. Mas para mim, que sempre fui incrivelmente insatisfeito, falta algo. Falta sucesso? Não, sucesso é contingencial, vai e vem de acordo com as circunstâncias. Falta dinheiro? Acho que sempre falta (risos). Mas isso é coisa que se arranja com trabalho, herança, golpe do baú, mega sena acumulada (mais e mais risos)… Falta amor? Acho que também! Também falta amor, um amor, mas não e só isso. Faltam significados, entre eles, um outro significativo.

É… Preciso voltar aos meus dias de desejante. Preciso voltar a crer, a confiar, a ver as pessoas e a realidade como fonte de realização, de vida, de desejo! Espero que minha visão dos quarenta seja assim: inacabada, pronta para uma constante construção, de preferência com alguém muito significativo ao lado…

Fidelity

O post abaixo “Perdido nos sons” veio de meu encantamento pela russa Regina Spektor, quando vi seu apoio à campanha contra a “Proposição 8”.

A campanha, chamada de Courage Campaign contra a Proposição 8 solicitou de vários casais gays que enviassem um foto de suas famílias com a frase “Não nos divorcie”. A partir destas fotos, foi elaborado um vídeo com o título Fidelity. A música tema foi a de mesmo nome, cedida por Regina Spektor.

A fatídica proposta foi aprovada, mas a ação contra sua aprovação deixa uma clara mensagem através do vídeo: “Não se pode votar sobre o amor”.

O vídeo segue abaixo:

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Mais informações sobre o caso, em um breve comentário da Revista Época.

O congresso

Um corpo perfeito

Um corpo perfeito

Eu voltara ao Brasil havia pouco tempo. Um colega da Bahia convidou-me para apresentar parte da minha Tese em um congresso que aconteceria em Salvador. Para mim, ir a um evento assim sozinho, sem o ex-marido, era novidade. Nos sete anos de relação, eventos eram verdadeiras luas-de-mel para nos. Mas o retorno, agora solteiro, me daria a oportunidade de discutir pontos que eu gostaria de aprofundar de meu trabalho. Assim aceitei o convite parti para Salvador.

Salvador já era uma cidade conhecida. Pontos turísticos lindos, pessoal acolhedor, clima ameno em pleno mês de julho. O congresso acontecia em um hotel em Ondina e fiquei hospedado ali mesmo. Cheguei em uma tarde de terça-feira, imaginando que teria toda a noite e o dia seguinte para preparar-me para minha apresentação (apenas na quinta pela manhã).

Depois de um bom banho, desci para um café. Eram umas 17:00hs e percebi que alguns membros do congresso chegavam, faziam check in e subiam para os quartos. Perdi-me nas lembranças de meus outros eventos e só acordei para a realidade quando ele sentou a minha frente. Imagino que pareci um pouco assustado, pois ele apressou-se em desculpar-se, dizendo que imaginava que eu não me importaria em dividir a mesa, considerando que não havia outro lugar para sentar. Assenti, parando, enfim, para observar meu companheiro de mesa. Negro, corpo magro por baixo de um blazer estilo Príncipe de Gales bege, camisa azul clara e jeans.

Ele ofereceu-me pães de queijo da cestinha que acompanhava uma enorme xícara de café. Eu agradeci olhando com curiosidade para a xícara imensa, ao que ele explicou que além de adorar café, ainda não tinha almoçado. Sorri complacente e para quebrar o silêncio comentei que ele realmente devia adorar café.

Foi o que bastou para, enquanto devorava os 12 pãezinhos de queijo (contei um a um) entremeados com longos goles de café preto, ele fazer um largo discurso sobre o café, seus tipos, a arte de tirar um bom expresso, suas torras e mesclas. Fiquei curioso e atento, até porque café é algo que me encanta, mas nunca imaginara tantas complexidades numa xicarazinha de expresso. O máximo que diferenciava era um bom Illy, Lavazza, ou Segafredo das mesclas comuns vendidas nos supermercados brasileiros. Nem imaginei fazer esta observação e demonstrar minha total ignorância!

Nossa conversa continuou por bastante tempo, o que me levou a acompanhá-lo em (mais) um café, agora com uma cheesecake. Ao poucos começamos a entrar em outros assuntos. Eu sentia como se o conhecesse de muito tempo. Era fácil conversar e nos sentíamos muito à vontade na conversa. Em dado momento, olhando para o relógio ele surpreendeu-se com a hora. Passava das oito. Disse-me que não tinha nenhum compromisso, mas gostaria de tomar banho e trocar a roupa. Ok, levantei e segui com ele para o elevador.

Ele anda estava com a mala. Junto com ela, uma pasta de lona marrom, com um notebook, imaginei e uma série de pastas, cheias de documentos. Ofereci para ajudar, considerando ele estar carregado. Agradeceu e subimos no elevador. Eu estava no 5º andar e ele no 12º. Ofereci para acompanhá-lo ao quarto e depois descer para meu andar. Ele agradeceu e continuamos conversando sobre amenidades. Na verdade ele falava de seu medo de lugares fechados, incluindo elevadores!

Um corpo sem pelos

Um corpo sem pelos

Chegamos a seu andar, andamos até sua porta. Ele a abriu, entrou colocando a mala logo junto a porta, recebeu as pastas de minhas mãos, olhou-me nos olhos e disse: preciso fazer algo que gostaria de ter feito desde que te vi pela primeira vez. Não sei por que me surpreendi quando ele me beijou – acho que eu já esperava e, principalmente, desejava aquilo! Mais alto que eu, ele desceu seus lábios sobre os meus com uma doçura incrível para um homem tão másculo.

Ainda estávamos na porta do quarto e ele puxou-me para dentro. O beijo foi apenas o início. Ele me pediu desculpas pelo “ato impensado”. Ao invés de desculpá-lo, beijei-o mais uma vez. Dessa vez senti seu corpo, abracei-o por baixo do blazer, sentindo suas costas largas. Ele tirou o blazer e continuamos com os beijos. Seus lábios grossos eram suaves, macios. Ele beijou meus olhos e seguiu beijando meu pescoço e minha nuca. Aquilo dava-e uma sensação louca de prazer, arrepios no corpo e uma cócega profunda.

Pediu-me desculpas e entrou no banheiro. Continuou falando comigo enquanto tomava uma ducha. Saiu do banho enrolado em uma pequena toalha branca que fazia um contraste incrível com a cor escura de sua pele. Sentou ao meu lado na cama. Voltamos aos beijos… Eu estava fascinado com seu corpo: magro, mas com todos os músculos definidos. Seu cheiro, abaixo do aroma do sabonete era forte, másculo. Pela primeira vez estava com um homem praticamente sem pelos. Seu corpo era quase todo liso, exceto no púbis e pernas.

Minhas experiências anteriores sempre me levaram a pensar em sexo apenas como penetração. Dois homens fariam sexo finalizando com a penetração de um pelo outro. Neste caso, era diferente. Em nenhum momento pensávamos nisso. Apenas exploramos nossos corpos, sentimos nossos cheios, gostos, a textura de nossas peles, nossos pelos. O prazer era elétrico. Arrepios por todo o corpo, cócegas em cada toque. Sorrisos e gemidos se confundiam. Os orgasmos vieram. A satisfação também e junto com ela um imenso desejo de beijos e abraços.

Ficamos juntos ainda algum tempo e descemos para jantar algo. Meu quarto tinha duas camas de solteiro. Nesta primeira noite, mudei-me para o dele, com cama de casal!

Passamos a quarta-feira juntos. Na quinta ele viajou para Itabuna, voltando na sexta.

Minha apresentação foi boa, discuti diversos temas de meu trabalho e levei várias contribuições.

Encontrei-o novamente no sábado, Ficamos juntos e viajamos de volta para nossos estados.

Mantivemos contato por algum tempo, ele morava em Londrina, mas viajava constantemente. Com tempo nos perdemos, embora ainda saibamos um do outro pelos e-mails. Aquele foi um grande congresso. Ele não tem idéia, mas ajudou-me muitíssimo em um momento de grande fragilidade: meu retorno, sozinho, a uma situação que não queria reviver.

Obrigado, Roberto.

Amigos

Apenas bons amigos

Apenas bons amigos

E o que acontece quando um amigo se apaixona pela gente?

Por alguma razão, alguns de meus amigos já tiveram uma “queda” por mim. Em dois casos conversamos e vimos que não tinha nada a ver e a amizade continuou, até revigorada. Em um caso tentamos algo e não foi um percurso feliz…

Agora, de repente, um amigo de alguns anos teve uma crise de “paixonite” por mim! A questão é que eu o adoro – como amigo! Ele é bonito, interessante, inteligente, atraente e tem um dos corpos mais excitantes que já vi (já fiz muitas brincadeiras com ele por causa daquele corpo). Mas ele é meu amigo! Não consigo vê-lo como um possível amante. Posso até imaginar “ficar” com ele, mas nunca nada além disso. Imagino, ainda que este “ficar” poderia “desarrumar” nossa amizade e por isso nem cogito testar. Mas ele tem insistido…

E tudo começou assim, meio do nada. Ele me deu uma carona, teve um problema no carro e eu ajudei a consertar (não sei nada de carro, mas consigo trocar um fusível…). Quando entramos no carro ele falou: “Ah, como é bom ter um homem para cuidar da gente”, ao que respondi: com certeza! Precisamos arrumar um namorado para cada um. E ele veio com a pérola: “Eu poderia ser o seu e você o meu”. Depois de rir, muito, percebi que ele estava sério… E aí me toquei da história… …era uma proposta real!

O pior é que fiquei sem ação! Como simplesmente dizer que não rolaria nada sem machucar? Penso que foi isso que o incentivou a novas investidas: telefonemas, flores, cartões… E eu me fazendo de louco! Sem saber ao certo como agir, mas tentando deixar claro que ele é meu AMIGO!

Sei que preciso conversar sério. Mas cada vez que nos vemos ele está com aquela carinha de cachorro abandonado e morro de pena de partir seu coração. Sei que quanto mais demorar mais vai ser difícil e mais doloroso será para ele.

Preciso deixar de ser egoísta, assumir o meu desejo e deixar claro que continuo querendo-o como amigo. Meu querido amigo.

Puxando a vida da fantasia

A fantasia de retirar alguém de nossos sonhos e trazê-lo para a realidade é algo recorrente na literatura, no cinema, no teatro.

Desta vez, a publicidade mexeu um pouco mais com nosso imaginário. Ah, se fosse um “herói”…

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P.S.: dirijo um Punto…

Perdido nos sons

Linda!

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Ah, os chefes

Lugar de trabalho

Lugar de trabalho

Passando pela sala dos professores esta semana, um de meus diretores me chamou discretamente para me dizer que no período de 10 a 12 de junho eu estava dispensado das aulas!

Meio sem entender a coisa perguntei se deveria agradecer ou se era algum tipo de castigo, tipo ser suspenso, advertido, considerando que exoneração estaria fora de questão. Meu diretor apenas riu e disse que imaginava que eu poderia ter programas agendados para este período…

Não entendi nada e comentei com uma amiga que estava na sala, mas não tinha ouvido a conversa. Ela caiu na gargalhada e lembrou-me que eu acabara de ganhar liberdade na semana da “parada do orgulho gay”. Foi só então que caiu a ficha!

O negócio é que eu nunca havia conversado com meus coordenadores ou diretores sobre minha orientação sexual… Na verdade nunca discuti aspectos de minha intimidade nem com colegas, apenas com uns poucos professores mais próximos que, por afinidade, souberam de meu antigo “casamento” com outro membro da universidade.

Mesmo assim, o ambiente universitário é permeado pelos estudos de casos que uns fazem dos outros (em linguagem coloquial: pela fofoca mesmo!). Então imagino que sejam sabidas as minhas preferências e os meus interesses. A curiosidade foi então saber por que eu havia recebido aquela “folga”? Seria preconceito do meu diretor? Seria discriminação!!!???

“A curiosidade matou o gato” e este aqui resolveu colocar a cabeça na guilhotina para descobrir a razão de um “presente” tão curioso e despropositado. Dois dias depois, peguei meu diretor na ante-sala da vice-reitoria de pós-graduação e soltei a pergunta que não queria calar: por que você me sugeriu uma semana de folga? Ele riu mais uma vez e disse que este era um período onde sempre havia faltas. Assim, se eu quisesse, poderia liberar meus alunos na quarta, já que a sexta-feira não seria dia letivo. Eu deveria aproveitar para me divertir…

Desisti de entender. Fiquei constrangido e já penso em fazer planos para viajar! Quem sabe Salvador (se passarem as chuvas) ou para Florianópolis? Feriado ganho assim não acontece todo dia.

Uma coisa notável

Eu fico pensado se estas potencialidades humanas de perceber mediado pelas sensações, emocionar-se, amar, seriam realmente invejadas por “seres” que não pudessem vivenciá-las.

Os sentimentos me parecem fortes demais e a mim, controlam completamente se solto as suas rédeas. Alguém já disse que não viemos ao mundo para viver, mas sim para sentir e com o poder destes sentimentos, construir a beleza. Não me lembro de onde tirei isso… Pra variar!
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Sensorial

Hálito

Hálito: a boca, de manhã cedo...

Depois das chuvas, frio, calor, mormaço, claro que entrei em uma crise alérgica violenta. A rinite evoluiu e me baqueou um tempo.

Tem uma coisa curiosa nas minhas crises. Durante e logo depois, a congestão nasal não me permite sentir sabores nem cheiros. É incrível como isso faz a vida ficar sem graça. Parece que não como! Sem sabor, não há nenhuma graça. É como se não comesse.

Os cheiros são um outro capítulo. Sem eles perco um bocado da noção. Gosto de cheiros. Sou muito sensorial. Gosto de usar todos os sentidos. Os cheiros me dão idéia do ambiente, das pessoas. Lembro de Caio Fernando Abreu, que fala de cheiros, relacionando-os a intimidade, a amor (!). Forte, mas interessante:

E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo, no tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As pessoas têm cheiros, é natural.

J’adore les dessert

Sempre adorei doces. Sobremesas, chocolates, pudins… Fantasiar como elas podem ser preparadas… Hummmmmmmm…

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O IR LGBT

Bom para os casados!

A Receita deve aceitar declaração conjunta de casais gays:

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Decisão judicial obriga Receita a aceitar casais gays no Imposto de Renda
Por Marcelo Hailer 2/4/2009

Coisas de casal

Coisas de casal

Enquanto as Câmaras não aprovam nada no que diz respeito a leis aos LGBTs, o judiciário caminha para frente. A Juíza da 2ª Vara Federal, Maria da Penha Fontenele, concedeu liminar obrigando a Receita Federal aceitar os companheiros de contribuintes LGBTs como dependentes para fins de dedução no Imposto de Renda de 2009.

Marinalva Santana do Grupo Matizes, responsável pela ação, diz que aguardava julgamento favorável. A Ong do Piauí entrou com o pedido na Justiça em meados de março. A iniciativa teve apoio do Ministério Público Federal. “A nossa expectativa e também pelo argumento do MPF, era de que a juíza deferisse favoravelmente, até por que nós temos respaldo na Constituição. Invocamos o artigo 150, parágrafo 2º que proíbe a União e os Estados de darem tratamento desigual aos contribuintes”.

A liminar tem validade para todo o território brasileiro e foi dada nos autos da ação civil pública nº 2009.40.00.001593, movida pelo Ministério Público Federal do Piauí. Marinalva acredita que tal situação pode ajudar em outras conquistas nacionais. “Aos poucos nós quebramos barreiras. Por isso ressaltamos que esta ação tem validade para todo o Brasil, agora cabe a nós fiscalizarmos a Receita e fazermos com que ela cumpra a liminar”, alertou a ativista.

Ultimamente parte do judiciário tem sido sensível às questões LGBT. Questionada a respeito de uma certa morosidade do legislativo Marinalva diz que “infelizmente o Congresso tem sido lento. O judiciário é quem mais nos tem atendido”. A ativista não acha impossível de uma liminar reverter a sentença pró-gay. “Temos que ficar atentos, até por que temos experiência que nos mostra isso. Aqui no Piauí, um juiz determinou que gays não fossem mais proibidos de doar sangue e o MPF derrubou essa liminar”, contou a ativista.

Fonte: A Capa

É amor?

Carinho e amor

Carinho e amor

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Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar era fácil.

Clarice Lispector

A casa

Te tentarei

A tentação

Com a cidade cada vez mais intransitável, já faz algum tempo que comecei a usar caminhos alternativos, ruas de bairro, pequenas vias que, até algum tempo, eram utilizadas apenas pelos moradores locais.

Esta semana, outra vez fugindo do trânsito e tentado evitar mais atrasos para uma aula, cai em uma rua, antes trafegável, agora quase que completamente parada. Uma rua tipicamente residencial, discreta, alternativa a duas grandes avenidas. Uma rua sem semáforos onde ainda havia carros parados nas portas de casa de muros altos e onde o trânsito de pedestres era pequeno.

Pois parado nesta rua, em pleno congestionamento das 13:00 horas, eu tive uma estranha sensação de déjà vu… Olhei para uma casa, uma das poucas com muro baixo e grades e foi aí que eu lembrei.

Lembrei de uma situação ocorrida há quase vinte anos. Era uma noite de sábado e dois amigos (um amigo e uma amiga) resolveram me levar para um bar gay. Fui com eles, um pouco assustado. Não era a primeira vez que eu ia a um ambiente assim, mas era a primeira vez que ia com amigos hétero. A casa era aquela: rua tranqüila, luzes suaves, muitos carros parados nas portas e um corredor lateral que ia do jardim ao quintal.

Entramos, seguimos pelo corredor iluminado por tochas (bastante aconchegante), gramado e com muitas flores. No quintal estava o bar. Várias mesas de quatro lugares estavam dispostas no gramado. Um balcão, em um dos cantos era servido por uma moça, elegante, loira, totalmente vestida de branco, incluindo uma boina.

Sentamos em uma mesa próxima à entrada. Meu casal de amigos estava curioso e assustado pela quantidade de pessoas “acima de qualquer suspeita”. Eles esperavam gays caricatos, drags, caminhoneiras e encontrávamos ali vários jovens, exatamente como nós… Pedimos bebidas (eu no eterno refrigerante) e eles dividiam uma cerveja.

Conversavam nervosos e me pus a observar o lugar. Bom gosto, sem dúvida. A música era agradável (MPB), o gramado bem cuidado, as pessoas comuns, mas interessantes. Continuei minha inspeção até chegar a uma mesa próxima ao bar. Nela, ao contrário das outras, onde havia casais ou pequenos grupos, sentava-se um rapaz sozinho. Ele estava de costas ao salão, olhando para um muro. De onde eu estava podia percebê-lo completamente. Era muito branco, cabelos negros e sobrancelhas muito grossas. Seus olhos eram escuros e não pude perceber a cor. Tinha a boca pequena e um nariz reto. Fumava… Usava um jeans comum, com tênis estilo “All Star”, preto e vestia uma camisa branca, muito longa, que lhe pareceria um vestido se fosse usado sozinho.

Ele parecia perdido naquele muro. Não demonstrava nenhum interesse no salão. Sobre a mesa uma garrafa de cerveja e um copo. Eu o observava sem pudor. Estava encantado com a beleza daquela cena. Até então eu nunca havia me apaixonado por um homem. Já tinha namorado, e curtido um amor platônico por um professor, mas nunca havia sentido tamanha atração por um homem. Seus olhos eram de uma tristeza tão profunda que me comoviam. Não conseguia desviar meu olhar.

Minha amiga tocou na minha mão, e disse: “Arthur, eu o conheço. Ele é artista plástico, pinta quadros. Vem comigo ao banheiro, na volta te apresento a ele”. E assim fizemos. Saímos da mesa deixando nosso amigo apavorado de ser abordado por alguém. Fomos ao banheiro e na volta passamos pela mesa do jovem. Ela começou a conversar animadamente com ele. Sentamos ali e continuamos a conversa sobre amenidades e amigos em comum. Conhecia muitas pessoas do mundo das artes, naquela época. Era fácil conversar com ele. Um dado momento, minha amiga levantou e deixou-nos conversando sozinhos. Ficamos assim a noite toda. Conversamos sobre tudo: amigos, estudo, trabalhos, arte, fofocas, televisão, cinema, literatura, amores, vida. Em pouco tempo conhecíamos um pouco do outro.

E continuamos ali, conversando, encantados com nossas histórias. Ele foi meu primeiro amor. Estivemos juntos por quase três anos, nos quais nos víamos todos os dias. Conversávamos o tempo todo. Compartilhávamos os mesmos amigos. Íamos para os mesmos lugares e ouvíamos as mesmas músicas. Durante todo este tempo nunca trocamos um beijo. Apenas abraços “fraternais” e longos apertos de mão. Nunca consegui entender aquilo e como me machucava ter o homem que amava ao meu lado e nunca poder beijá-lo, amá-lo! Nossa relação acabou por minha causa. Não pude continuar queimando de desejo e resolvi afastar-me. Ele aceitou o fato. Sofri muito, pela primeira vez sentia como se meu peito fosse partido…

O tempo passou. Terminei a faculdade, tive namorados, um deles quase marido. Terminei o mestrado, “casei”, mudei de pais. Voltei ao Brasil e algum tempo depois, conversando com aquela antiga amiga do bar, descobri que ele, meu primeiro amor havia morrido. Ela me explicou que ele falecera já havia algum tempo. Era HIV positivo e mantinha a doença sob controle há muitos anos.

Sabendo disso, entendi tudo. Entendi porque ele jamais me aceitou como amante. Entendo quantas vezes ele disse “Não Arthur, isso pode ser perigoso”. E eu que sempre pensava que ele tinha medo de se machucar. Compreendi o porquê de seus olhos tristes quando nos abraçávamos e sentíamos nossas ereções no corpo um do outro. Como não me permitia beijá-lo e dizia que não conseguia parar. Mas depois de saber isso, compreendi o que me disse quando nos separamos. Falou que me compreendia, mas ia ser muito difícil estar sem mim, apesar de tudo me amava e para proteger-me, me deixava ir…

Fiquei mal por um tempo. Compreendi suas decisões. Mas nunca compreendi porque nunca me contou.

Aquela casa, perdida numa rua tranqüila, calma, me trouxe muitas recordações.

Assédio

Em busca da presa

Em busca da presa

Apesar de meus devaneios, meu eterno “pensar”, costumo ser uma pessoa das mais práticas. Talvez esta seja a razão pela qual não gosto das compras. Um shopping cheio, gente escapando pelo ladrão, lojas com vendedores ansiosos por te atacar e clientes chateantes, não fazem meu clima. Um supermercado então! Pelos céus, para mim é um castigo divino… Mas, como comprar é preciso e não creio que uma calça, uma camisa, ou um sapato tenham um bom caimento quando comprados pela Internet, assumo meu lado consumista parto para uma ou duas lojas onde sei que consigo um bom produto, bonito, por um preço suportável.

Ontem foi um destes dias, mas meu tema não são as compras (ótimas, mas pude perceber que apesar das liquidações, tudo continua pela hora da morte e os professores – como eu – continuam salarialmente defasados!!!). Sempre que vou a um shopping, me presenteio com algo agradável, para compensar a tortura. Em geral vou a uma livraria (outra tortura, desta vez porque tenho o desejo de levar TODOS os livros para casa), tomo um café, compro uma bebida, ou qualquer coisa exclusivamente para o meu prazer. Afinal este contraponto é fundamental.

Pois bem, depois de algumas peças de roupa compradas e de várias evasivas para o vendedor sobre quem eu era, o que fazia, do que gostava (quando o povo vai perceber que este tipo de pergunta não tem nada a ver como fazer o cliente sentir-se bem???), rumei para um de meus cafés preferidos. Lá chegando, assumo meu posto no balcão (adoro um balcão, sempre em pé!) e fiz meu pedido. Quase que ao mesmo tempo, pára no balcão, ao meu lado, um jovem. O rapaz era realmente muito bonito, por volta de seus 27 anos, cabelos castanhos e olhos claros (não sei se verdes – ah, os verdes são minha perdição – ou azuis), sobrancelhas grossas, um rosto perfeitamente proporcional. Não costumo a olhar (encarar) pessoas, mas o olhei mais de uma vez. Ele fez seu pedido e, como eu, ficou aguardado, sentado ao balcão.

Neste momento, chega um terceiro. Um carinha bem jovem, acho que mal tinha 20 anos. Minha surpresa foi que o recém-chegado plantou-se de pé, ao lado do jovem e, ao contrário do que se possa esperar, ao invés de ficar de frente para o balcão e atendentes, ficou de frente para o jovem! A princípio achei que os dois se conheciam, mas logo percebi que nenhum deles falava. O jovem continuava fitando o vazio, olhando fixamente para dentro do balcão. O carinha, de lado para o balcão e de frente para o jovem, perscrutava todos os detalhes do rapaz.

Nossos pedidos chegaram e o percebi o jovem desconfortável com a situação. O carinha continuava lá: observando e tão próximo quanto os bancos do balcão permitiam… O jovem tomou seu café de um gole, dirigiu-se ao caixa, pagou e saiu apressado. Tudo isso acompanhado pelo olhar do carinha que o seguia como um girassol seguindo a rota diária do astro rei. Depois que o jovem partiu, o carinha deu de ombros e seguiu para outro lado… Os atendentes do café olhavam a cena com indiferença.

E daí, fiquei pensando com meu café: que coisa mais ostensiva! Que comportamento (o do carinha) mais grosseiro! Não sei o jovem era gay ou não, mas ser observado, explorado, perscrutado, assediado daquela forma incomodaria qualquer um… Se ele fosse hétero, como não teria se sentido? Fiquei pensando que era uma sorte o ambiente de um shopping ser “light”. Ali era pouco provável haver alguma grosseria por parte do assediado. Mas que poderia caber algo, poderia…

O que me chocou não foi o fato do carinha se aproximar do jovem, mas sim a forma: ostensiva, agressiva. O que me assustou foi o desrespeito de plantar-se ali, ao lado do outro, encarando-o. Não me espanta que o jovem tenha fugido quase correndo daquela situação inusitada.

Príncipes

Uma resposta ao post dos Príncipes, uns posts de outros blogs, umas conversas com amigos… E tudo isso me faz continuar pensando em Príncipes Encantados. Aí, do nada, um amigo fala do blog http://www.farme40graus.blogspot.com/

Gostei do blog e adorei o vídeo “Esperando meu príncipe encantado”. Amei o texto:

Quando você é menina,
dizem para você sentar de pernas fechadas e esperar,
comportada, pelo príncipe encantado.
Quando você é menino,
dizem para você não esquecer de baixar a tampa do vaso,
depois de fazer xixi,
e que não sendo viado ou assaltante tá tudo certo.
Quando você é gay,
dizem não pode, não deve, não seja!
Eu não sei você, mas eu posso,
eu devo e eu sou!
Sempre lembro de baixar a tampa do vaso e tô aqui…
…esperando pelo meu príncipe encantado”.

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