Publicado por: Arthur | 13 Maio, 2008

Adolescência tardia

Leveza

Todas as imagens são oriundas da Internet. Caso esta imagem tenha direitos autorais, por favor, deixe-me a par deste fato.Tem gente que fala que seu armário é confortável. Tem gente que nem pensa em não sair do seu. O processo de “outing” é algo doloroso para muitos.

Lembro de minhas primeiras vivências quando percebi que “era diferente”. Nunca senti problemas por ser diferente. Na verdade, ser diferente para mim, era como ter uma “identidade secreta”. Eu era um dos super-heróis que eu lia nos quadrinhos, nos filmes e tudo mais. Era legal sentir coisa que só eu sentia e saber coisa que só eu sabia.

Esta diferença só ficou ambivalente quando começou a manifestar-se na escola. Naqueles dias eu ainda não sentia nenhuma atração por meninas ou meninos. Apenas eram amigos e amigas. Nada mais. Mas minha rejeição ao futebol, em especial por casa da bolada que quebrou meus óculos, despertou suspeitas de meus colegas. Fiquei meio que sem grupo e isso era o mais estranho e doloroso. Enquanto os meninos só queriam saber de bola, as meninas de fofoca e jogos que não me atraíam de forma alguma. Foi neste instante que “ser diferente” cobrou seu preço.

Fico, entretanto, feliz por nunca ter tido as famosas paixões por amigos hétero.Na verdade tive muitas amigas e colegas que se interessaram por mim. Era tão estranho! Eu não conseguia me ver com uma menina!!! Tampouco me via com um menino, mas uma menina me dava algo estranho na barriga.

Minha primeira paixão foi tarde, pelos 15 anos, por… …um professor. Sim, ele era lindo! E hoje sei que era, no mínimo, simpatizante. Apaixonei-me no fim do ano letivo e deixei o colégio poucas semanas depois. Não por causa da paixonite, mas porque, no meu tempo, vestibular metia medo em muita gente e não passar para uma Universidade Pública era um atestado de sua incompetência estudantil. Assim, fui estudar em uma escola que possuía um preparatório para o vestibular integrado ao curso normal. Nunca mais vi minha primeira grande paixão platônica.

Tudo essas lembranças me ocorreram porque assisti ao filme “Get Real”. A história de um adolescente inglês que se descobre gay e começa um relacionamento secreto com um dos grandes atletas da escola. Claro que as coisas não são um mar de rosas para nenhum dos dois. É um filme legal e deu aquela coisa de “isso não aconteceu comigo”.

Parece que perdi momentos de romantismo na minha adolescência. Vai que é por isso que busco viver tantos momentos românticos hoje – adoro!!! Acho que estou precisando ser mais adolescente hoje em dia. Inconseqüências, imprudências, leveza: a gente sempre precisa um pouco disso.


Respostas

  1. Oi, tenho acompanhado seu blog – gosto muito doque voce escreve, e dos videos que voce acha no YouTube.

    E como foi sua primeira experiencia sexual com um outro homem?

    Voce conhece o filme (tambem britanico) “Beautiful Thing”? Vale a pena ver, especialmente se voce gostou do “Get Real”.

  2. Olá “Roque Santeiro”,

    Legal saber que você acompanha este meu “pensar”. Assisti “Beautiful Thing” (aqui: Delicada Atração) e fiquei surpreso com o tratamento bonito dado ao tema. É um dos meus filmes preferidos sobre o assunto. Te respondo sobre minhas primeiras experiências em outro post, Assim que der tempo!

    Se puder, assista a um filme francês chamado “Juste une question d’amour”. Na mesma linha, adolescente, mas muito bonito!

    Abração!

  3. Ok, colocarei este titulo na minha lista de filmes para alugar!

    Abracos,

    Roque


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