Das minhas tantas primeiras vezes uma foi marcante. Marcante, pois foi um marco significativo: inscreveu-me em um mundo que não sabia que pertencia e deu-me uma perspectiva diferente do meu dia-a-dia.
Em síntese: até meus doze, treze anos eu nunca havia observado o corpo masculino. Na verdade, na infância, eu buscava ver corpos nus (homens, mulheres) mais com a curiosidade de compará-los que por desejo de vê-los, de fato. Mas um dia, era a época do “boom” do vôlei no Brasil e uma amiga, que tinha tido sérias intenções de virar namorada, comentava que tinha uma verdadeira paixão pelos jogadores de vôlei da seleção. Sua grande “obsessão” era o jogador Renan, em especial porque ele tinha “pernas lindas”.
Eu nunca havia observado pernas masculinas com interesse, mas depois deste comentário, fui à primeira banca e comprei uma revista sobre vôlei! Sim… As pernas de Renan eram um espetáculo. Lógico que fiquei fã de vôlei, desde assistir a todos os jogos, como de jogar também.
Esta foi minha primeira vez em reparar o corpo masculino e observá-lo com desejo. A partir daí entrei em contato com algo sério: eu gostava de homens! Rapaz, que loucura! Antes, completamente “assexuado” e agora um admirador dos corpos masculinos.
Com o tempo percebi como as características masculinas me atraiam. Não apenas as características físicas, tipicamente masculinas como barbas, pêlos, músculos, cabelos curtos, mas as psicológicas, como o ser cuidadoso, protetor, impetuoso, corajoso, em síntese: viril. Das tantas “primeiras vezes”, a primeira que me descortinou uma imagem masculina, tornada efetivamente o fruto do meu desejo, me foi fundante.




Minha primeira vez foi na educação física. Um garoto sem nome, passou os braços pelas minhas costas e com cuidado me afastou antes que a bola me acertasse.
O problema , acho, foi ele não estar do meu lado para me afastar quando outras bolas continuaram a me acertar dali pra frente.