Fora o tempo de escola, quando não consegui, por algum tempo, definir um grupo particular de amigos, em especial, masculinos, nunca me senti de fato discriminado por ser gay. Meu “outing” foi discreto, como o é até hoje. A quem pergunta, respondo. Acho que por esta razão sinto-me muitas vezes em uma “bolha”.
Saber dos casos de extrema discriminação, como os crimes de ódio, em especial contra travestis, ou casais gays que se atrevem a demonstrar afeto em público me choca profundamente.
Meu companheiro diz que eu vivo “no Mundo de Bob”, tal é minha ingênua percepção de muitas coisas no dia-a-dia.
Na verdade eu sempre me levei muito a sério. Por esta razão sempre fui sincero comigo e com todos. Minha vida sempre foi levada com tanta naturalidade que nunca vi ninguém chocado pelo que já fiz. Fosse andar de mãos dadas, ou beijar meu companheiro em público. (Até hoje ele fala que os colegas de trabalho comentam… Oh Pai!). Minha naturalidade perante meus desejos e minha vida também significou o fato de que todos os meus namorados foram conhecidos de toda família e muitos continuam amigos de todos, menos meus…
Ok, nem sempre o fim é fácil… Mas para mim o fim é o fim e não adianta “repaginar”, “re-estilizar”, “reinventar”. O que passou, passou. Para mim, quando acaba, é como algo que quebra, e não consigo consertar. Não tenho mais energia. Sempre, durante todos os meus relacionamentos, tentei “repaginá-los”, “re-estilizá-los”, “reinventá-los” enquanto havia sentimento. Depois que o sentimento se vai, não consigo mais continuar vivendo esta vida.
Acho que meu problema é que quero muito da vida! Não aceito apenas a contabilidade dos ganhos secundários. Eu quero os primários! Todos! Sempre!




[...] últimos dias observei algumas situações que me fizeram sair da bolha. No trabalho e até na vida, nunca percebi observações ostensivas e preconceituosas direcionadas [...]
[...] de estar começando a viciar-me nas novelas que nunca pude ver. Preciso assumir meu local no “Mundo de Bob”. Há sempre algo de positivo… …até na [...]
Dar sentido ao que se sente, aceitando e defendendo seus desejos é algo muito legal e apreciável. Pelo menos é o que eu penso, seja pelo fato de admirar pessoas determinadas ou pelo fato de desejar fazer brotar em mim essa força propulsora.
Ainda não consegui sair da minha bolha… faço pequenos ensaios, porém nada concreto. É tempo de mudar…
Abraço,
Sonhador