As paradas…
Meu companheiro e eu temos conversado muito sobre os benefícios sobre os benefícios das “Paradas Gay” para a visibilidade política da diversidade.
Concordamos em um ponto: as paradas são, de fato, uma grande festa e o conteúdo sócio-político é, muitas vezes, esquecido. Ele sempre considera que eventos mais politizados deveriam ser realizados como passeatas, caminhadas, momentos de protesto, etc. Eu concordo em parte, acho que são eventos interessantes para acompanhar a festa, mas a festa da Parada em si, deveria manter-se como momento de festa.
Queiramos ou não, a Parada dá visibilidade sim. No período que a antecede, e nos dias próximos, podemos ver casais de mãos dadas, beijos (que não podem ser censurados pela Globo, ou pela “Igreja”), manifestações de carinho. Tudo isso é amparado pelo imenso grupo de pessoas simpatizantes e/ou homossexuais que circulam pela cidade. Nós sabemos o que a força do grupo nos permite e o quanto ela dá suporte à nossa expressão.
Creio que, com o tempo, já são 12 anos da Parada de São Paulo, as pessoas não se sentirão chocadas com o carinho e a manifestação de afeto. Creio, também, que é de suma importância a realização de movimentos menos festivos, de cunho sócio-político de fato, em paralelo à festa. Mas não posso deixar de reforçar que, em minha opinião, é a festa que atrai. É ela que mobiliza, que agita, que dá a visibilidade necessária para o momento sério, para a discussão, para a percepção da diferença do nosso direito de ser o que se é.



