Publicado por: Arthur | 4 Junho, 2008

Vezes e mais vezes…

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Fui a um bar com amigos. Eu tinha 20 anos… Era um bar gay e aquela era a terceira vez que eu ia ali. Conhecia pouca gente e era um ambiente muito novo para mim.Sentamos em uma mesa no meio do movimento. Meus amigos bebiam cerveja e tinham aquela cara de “blasé”, enjoada.

Um rapaz, conhecido de um de meus amigos sentou a mesa conosco. Eu não o conhecia. Ele era bonito, alto, um pouco forte, cabelos negros fartos e olhos pequenos, rasgados com uma luz esverdeada. Sua boca era pequena e não muito carnuda, mas a cor vermelha contrastava com sua pele muito branca.

Ele conversava com meu amigo trivialidades. Saiu da mesa e pouco depois voltou com duas garrafas de refrigerante. Estendeu-me uma e disse que tinha percebido que eu não estava bebendo cerveja. Assim, como ele, talvez eu preferisse um refri.

Achei uma atitude tão doce, tão gentil. Conversamos bobagens que nem mais me lembro. Ele também conversava com meu amigo, a quem ele já conhecia de muito tempo.

Em um dado momento, ouvindo uma música que tocava em um ambiente vizinho (um “dancing” improvisado), ele me convidou para dançar. Não tive cara de rejeitar o convite e fui com ele para o dancing.

Havia muita gente dançando e ficamos em um canto, próximos a uma escada. Dançamos, conversamos um pouco e dançamos novamente. Era gostoso a dança e estar ali, próximo a um homem bonito e atraente que, aparentemente, estava cheio de atenções comigo.

A música parou e, num pequeno palco, logo à nossa frente, uma drag queen iniciou sua performance. Encostei-me na parede e ele ficou ao meu lado. Conversamos e rimos do show. A música alta nos fazia ficar muito próximos um do outro para podermos escutar-nos.

Num dos comentários que ele me fez, virou-se para mim e colocou seu braço na parede atrás de mim. Fazendo isso, ele estabeleceu um espaço entre seu corpo e a parede, onde mal cabia o meu corpo. O melhor é que, mesmo assim, nossos corpos não se tocavam, mas nos olhávamos de perto.

Pela primeira vez em minha vida, aos 20 anos de idade, senti o calor emanando do corpo de outro homem. Senti seu cheiro, o perfume, seu suor. Mergulhei naqueles olhos verdes como nunca havia feito antes com ninguém mais e, quando percebi, ele me beijava com suavidade.

Mantive os olhos abertos, olhando para ele enquanto me beijava. Eu pensava: “meu Deus! Estou beijando um homem!”. Capitulei… Entreguei-me ao desejo daquele beijo que de suave tornou-se potente. Sensual. Profundo…

Esse primeiro beijo, nunca saiu de minhas lembranças. Nem ele, nem as músicas, as luzes, ou o show da drag logo em frente. Ficamos juntos toda a noite, apenas trocando carinhos e beijos.

Saímos mais algumas vezes depois daquela noite… Outras primeiras vezes. Tantas primeiras vezes!


Respostas

  1. Muito lindo o seu post. Adorei! Parece clichê, mas é fato: o primeiro beijo, o primeiro sentimento de amor a gente nunca esquece.
    E eu pensei a mesma coisa quando beijei um homem pela primeira vez.
    Parabéns pelo blog!

  2. Oi E. Cohen,

    Bom saber de você por aqui. Eu tenho tentado “me falar” um pouco pelo Blog. Já fazia isso em blogs de amigos e outras experiências de blog. Agora resolvi juntar um pouco de tudo e centralizar. Estou rememorando as “primeiras vezes” (as boas, é claro) e tem sido uma experiência de memória deliciosa.

    Fique um pouco mais: vamos trocar idéias…

    Abração.

  3. Adorei.

    E voce ainda mantem contato com ele?

  4. Não Roque, não temos mais contato. Saímos duas vezes, mas naquela época eu estava, ainda, assustado com a força de meus desejos. Fugi dele! Encontramos-nos muitos anos depois, cruzando pela rua. Nos olhamos, cumprimentamos e seguimos. Ficou algo de muito bom… Ele nunca soube que foi meu primeiro “beijo” masculino.

  5. [...] Julho, 2008 de Arthur Depois daqueles beijos, eu liguei para ele meio apavorado e meio excitado. Queria vê-lo uma vez mais e isso foi o que me [...]

  6. Primeiro beijo… Saudade do meu primeiro beijo. Foi beijo roubado de um primo. Ainda hoje lembro sempre que o encontro. Não falamos sobre o assunto, mas dia desses vou roubar outro beijo.

  7. eu adorei o seu post…e adorei principalmente porque é a história de tantos (e se não é devia ser) independente de serem gays, heteros…
    Ser com meninos ou meninas é só um detalhe.
    Beleza da vida é encontrar alguém que torne o nosso primeiro beijo não só inesquecível, mas especial.

    Parabéns pela forma como vc escreve, muito legal ler e não ver um texto que parece fazer questão de mostrar que gosta de meninos ou de meninas…A naturalidade do que vc escreve é que e a marca principal.
    Só vi belas histórias, boas lembranças, bons assuntos…
    A questão ‘opção’ sexual é só parte da sua história, como eu gostar de rapazes é parte da minha.

    Aliás, eu gostei tanto que gostaria que vc me permitisse postar esse texto no meu blog…
    então se puder dá uma passada por lá, dá uma olhada e se eu puder publicar lá, me passa um e-mail por favor.

    Abraço

  8. Oi Atrê!

    Bom “receber” você por aqui. Seja bem vinda e volte sempre que quiser!

    Como digo em “Sobre mim”, muitas coisas me (nos) definem. Somos este conjunto de tantas características, sonhos, desejos, ações… Tudo muito complexo, mas claramente interrelacionado (será que depois do acordo ortográfico isso tá certo?). Nisso tudo, acho que a orientação sexual é só um ponto.

    Infelizmente, para muita gente, você precisa apresentar-se como “Oi, tudo bem? Meu nome é Arthur, sou gay e …”. E por isso acabamos fazendo desta característica o cerne de nossa individualidade. Pra quê, né? O melhor é apenas encarar a vida com naturalidade, “compreender a marcha e ir tocando em frente”, encontrando ao longo do caminho situações, momentos e pessoas que nos fazem pensar, crescer e deixam marcas, fazendo nossa história valer a pena…

    Volte sempre e use o que precisar do Blog. O conteúdo está aí para isso!

    Abração!

    Arthur

  9. Arthur obrigada por permitir que eu dividisse o texto aqui com o pessoal que passa no meu blog.
    Já postei lá.

    abraço

    e eu volto pra olhar outros, com certeza!!!…………….rs

  10. Oi Arthur!
    Como já lhe disse no post do Congresso, sua escrita é gostosa de ler. A naturalidade que você transparece ao relatar suas lembranças é muito legal. Claro que eu sei que rememorá-las agora que estais mais maduro lhe dá essa oportunidade, mais mesmo assim não lhe tira o mérito. Parabéns!

    Abraço,
    Sonhador

    Ps: Continuo fazendo minha viagem no tempo do Voluntas (risos)

  11. Oi Sonhador!

    Fico feliz que você esteja gostando destas lembranças loucas. É muito gostoso rememorar e mais gostoso saber que estas experiências são interessantes para outras pessoas.

    Fique sempre à vontade! Você é bem vindo a “viajar”, comentar, expressar-se, discutir. Obrigado por participar.

    Arthur


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