
Vi a notícia abaixo no Site na Web do Mix Brasil. Na verdade o Site promove uma “enquete” sobre qual “sua opinião sobre o personagem de Cauã Reymond”?
Curioso, fui ler as opiniões… Algumas chamam atenção:
LUCAS (e-mail não divulgado por uma questão de respeito) Mais uma vez a bichinha afetada! Aliás, este tipo de persona artísitica só serve mesmo para a chacota. Se existem gays afetados (e existem!) existem também os que são muoito machos; que é como todo homem que gosta de homem “deveria” ser. Ok, respeito à diversidade? Sim, respeito. Mas nossa… bibinha afetada é chato… cansa… Homem tem que ter jeito de homem! (Grifos meus).
ANDRÉ (e-mail não divulgado por uma questão de respeito) EXISTEM MUITOS GAY QUE AGEM ASSIM OU PIOR TEM GAYS QUE QUEREM SER MULHERES, SE TRANSFORME E VÁ AS RUAS MAS NÃO FIQUE ACABANDO COM A IMAGEM DE HOMENS QUE GOSTAM DE HOMENS SOU GAY E ME PORTO COMO HOMEM, ODEIO ESTAS BICHAS QUE FAZEM VIADAGEM E AGEM MUITO MAIS AFEMINADAS QUE MULHERES PERUAS. CHEGA DISSO PÔ, QUEIMA O FILME. (Grifos meus).
pedro (e-mail não divulgado por uma questão de respeito) é preciso lembrar que ele faz o personagem de um hetero machão se passando por gay. é óbvio que um hetero machão ia se fazer de gay afeminado, afinal é essa a visão de um hetero machão comum. e é folclore achar que não tem gays afeminados. todos nós temos amigos assim. e daí? ser afeminado é errado pq? pq “queima o filme” ser afeminado? mais respeito a todos. diversidade é isso. (Grifos meus).
Depois de ler algumas das “opiniões” fiquei pensando… Pensando em como muitos precisam passar despercebidos para não sofrer. Quantos precisam ser “iguais” para não chocar.
Fico pensando em que é ser um MACHO? Fico pensando no “que é ser um HOMEM”?
Pensando em quantas vezes vi a tradicional frase: DESCARTO afeminados, muito gordos, muito magros, com sinal na testa, verruga no nariz, cicatriz no queixo, braços sem pelos, peito peludo, etc., etc., etc. E eu fico pensando em “quem sou ‘eu’ para DESCARTAR alguém”?
Que chaga, essa terrível rejeição ao OUTRO por ser diferente! Então se eu sou aparentemente “igual” a um hétero, sou aceito por mim e pelos outros. Se eu sou eu, não posso ser aceito? Que lógica louca é essa? Que homofobia insana internalizada é essa que portamos e nem percebemos?
Quantos ainda DESCARTAREMOS por puro medo de nos vermos como eles, ou pior, sermos vistos como/com eles?




Sabe, sempre bato nessa tecla na minha cabeça: nós gays (pelo menos uma grande parte) temos muitos preconceitos! É afeminado-cult que ignora os que não são cult, é “discreto” que tem fobia a afeminados, é playboyzinho que só gosta de saradinhos psyzeiros.
Acho isso tudo uma hipocrisia, além de uma contradição de fundamentos tão grande que me deixa até revoltado! Eu sei que é meio que presunção julgarmos nós mesmos, mas nesse quesito eu posso dar certeza: eu não tenho problema nenhum com nenhum tipo de pessoa: gordo, peludo, lisinho, afetada, rico, pobre, etc.
Enfim, era isso.
Ah… a propósito, achei seu blog nas tags do wordpress. Se for bem-vindo vou voltar mais vezes, abraços!
Por: Ste em 4 Julho, 2008
às 7:23
Você será sempre bem-vindo Ste. É bom “conversar”sobre todas estas “loucuras” que penso.
Abração e espero seu retorno.
Por: Arthur em 7 Julho, 2008
às 0:30
Assunto espinhoso… admito que já tive um preconceito muito maior com gays tidos pelas pessoas e por mim como efeminados. Não vou ser hipócrita de falar que me sinto confortável na presença e que também me sinta atraído. Não, isso não procede! Contudo, sei que isso é um problema meu e que tenho que combater essa idéia infundada… ainda tenho muito que aprender!! Como esperar ser um bom cidadão se não respeito quem está próximo de mim? Como esperar ser um bom profissional se me deixo conduzir por um comportamento vergonhoso? Como posso esperar ser humano se não reconheço as diferenças? Espero chegar lá…
Abraço
Sonhador
Por: lereveur85 em 22 Maio, 2009
às 23:18
Sonhador,
Logo quando eu me assumi, naquela fase dos 20, quando ocorreram as primeiras vezes. Eu tinha uma amiga que descobri, também era gay! Nós nos descobrimos um para o outro e começamos a discutir e conversar algumas dessas coisas. Ela tinha uma grande amiga, Roberta, se chamava. E Roberta era, na verdade, Carlos Roberto…
Tive sorte de conhecer Roberta logo assim de cara. Ela era doce, bonita, feminina e com um pomo de adão que a delatava se ela não usasse um lencinho, ou uma echarpe no pescoço longo. Meu contato com Roberta favoreceu muito minha visão e aceitação de pessoas diferentes de mim. Sim, pois apesar de Gay, eu era homem e procurava e queria e desejava outros homens, também gays…
Com o tempo, conheci homens fantásticos. Muitos cheios de trejeitos, realmente afeminados. E isso não me incomodava. Meu melhor amigo na época era um homem lindo! Ele era baixinho, usava barba, tinha um corpo super malhado, usava roupas másculas, não tinha nenhum toque de feminilidade, mas… …quando ele abria a boca… Meu Deus! Eram flores! Ramalhetes e buquês de todas as variedades!
Eu só descobri que ele percebia isso quando o apresentei para uma tia e meus primos, em um evento que nos encontramos. Ele apertou a mão de todos e não disse uma palavra. Depois lhe perguntei que que tinha dado nele (que falava pelos cotovelos) para não abrir a boca? Ele respondeu que preferiu ficar calado para não “queimar meu filme”! Não bati nele nesse dia, mas lhe disse vários impropérios! Até hoje o adoro do jeito que ele é! Com todas as flores que tem direito. Hoje ele não mora mais no Brasil. Mas nos falamos sempre e ainda nos vemos pelo menos uma vez por ano.
Acho que a gente aprende a conviver, a aceitar, a respeitar o diferente a partir do momento em que percebemos o diferente em nós. Em uma comunidade mulçumana, eu destôo e sou respeitado. No meio dos filhos de Ghandi, minha pele branca reluz, mas sou respeitado! Então percebo claramente: o que é diferente? Somos todos iguais! Mas nosso mundo é centrado em um senso comum baseado numa série de representações sociais que nos prendem, nos acorrentam a valores e comportamentos não necessariamente éticos. Quando percebemos isso, nos libertamos de muitas coisas…
Agora a coisa de me sentir atraído… Em outros posts você já deve ter visto: me atrai o masculino! O corpo de homem, o cheiro, o toque, o sabor, o hálito, o pelo, a aspereza da pele, o cabelo curto, o arranhar da barba, tom grave da voz, o ressonar pesado… O que me atrai é virilidade, masculinidade… Vai que é a coisa de “buscar no outro o que se quer ser”. Não sei muito das “leis da atração”, mas sei seguramente o que atrai.
Abração!
Arthur
Por: Arthur em 24 Maio, 2009
às 22:44