Publicado por: Arthur | 16 Agosto, 2008

Aconteceu de novo…

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Ativo X Passivo

Desde que fiquei solteiro outra vez, tenho saído com amigos, em geral às sextas-feiras, ou sábados. Nossos programas são bastante diversos, desde o cinema, teatro ou bares e ambientes para dançar. Depende dos membros do grupo.

A primeira vez que saí apenas com meus amigos, após o “advento da solterice”, fui encontrado por um carinha (vamos chamá-lo de Fernando) em plena pista de dança. Apesar da diferença de idade, “ficamos”. Ele me ligou no outro dia e marcamos algo para o final de semana seguinte.

Considerando minha “desatualização” sobre “o-que-rola-na-cidade-pra-fazer-a-dois”, deixei ao seu encargo as sugestões. Fomos para um bar simpático para conversar, onde ficamos à vontade. Já passei do tempo que uma saída com um cara era apenas para sexo. Hoje, acho que sair com alguém interessante tem mais a ver com conhecer, aproveitar o momento e, se as coisas evoluem, sexo.

Bem, as coisas evoluíram e acabamos indo para meu apartamento. Foi bom, muito bom, mas algo me ficou na mente o tempo todo. Fernando se colocou como “passivo” desde nosso primeiro encontro. Assim, quando estivemos juntos, durante o sexo, naquela noite, Fernando não tomava nenhuma atitude, nenhuma decisão. Todas as ações ficavam por minha conta. Estranhei, mas imaginei que era uma postura localizada, ou seja, ele se colocava assim naquele momento, talvez porque eu, parecendo mais “maduro”, pudesse “conduzir” melhor nosso prazer. Mesmo assim, foi estranho.

Lembrei desse fato, pois lendo uma reportagem na Revista DOM, vi um ponto curioso. A reportagem em si vai tratar do sexo anal, mas faz uma leve reflexão sobre a coisa do “ativo X passivo”, coisa que me faz sempre pensar. A opinião de alguns convidados é interessante e um deles, fala da coisa do poder como fundante nesta relação: a postura do “eu como, eu mando”. Esta coisa do poder é o que me chama atenção neste tipo de associação “ativo X passivo”. Eu, talvez, ingenuamente, pensava que não era uma associação de fato. Mas, pelo meu amigo Fernando e outra situação que vivenciei ontem, começo a pensar que sim… Muitos de nos crêem que ser ativo é ter o poder, penetrar é mandar, controlar…

Ontem saí com um casal amigo e outro cara (que eles convidaram para que nos conhecêssemos). Coisa de casal querendo “salvar um solteiro” da dor da solidão. Rômulo, o cara escolhido para ser meu par, é um homem muito interessante. Bonito, cuida-se bem, é intelectualmente estimulante e logo engrenamos uma conversa fluida e fácil. “Logicamente”, Rômulo estava sem carro e, como nosso casal de cupidos resolveu ir embora cedo, dei carona a ele de volta a sua casa. Lá. Rômulo me convidou para subir e me ofereceu um bom vinho, coisa que não pude desfrutar no restaurante pela nova “lei seca”. Continuamos a conversa, chegamos ao tema sexo, onde ele me colocou que era preferencialmente passivo. A conversa, o envolvimento e o “vinho”, nos aproximaram bastante e nada mais comum que beijos, abraços e chegarmos a um nível maior de intimidade física.

É neste momento que começo a ter uma sensação estranha… Rômulo tem exatamente a minha idade. Somos parecidos em estilo e cultura. Nada mais comum que eu perguntar (antes de agir) o que ele gostaria de fazer. A resposta me chocou: “você é o ativo, você decide”. Até então eu imaginava que dois adultos, na mesma faixa etária, social e culturalmente assemelhados, teriam condições de “negociar” ações que os levassem ao prazer de forma conjunta. Mas, mais uma vez, tal como meu Fernando, Rômulo deixa “o controle” para o ativo – para mim.

Minha sensação é que, para muitos, ser passivo é uma mais uma submissão completa. A total disponibilidade de seu corpo e de seu desejo ao outro. E imagino que muitos ativos agem de forma exatamente contrária. Tal como em um filme pornô gay, onde o grande ator, belo, gostoso, sarado, com pênis imenso, acolhe uma vítima que lhe dará prazer. O ativaço é chupado, acariciado, beijado e depois penetra sem preocupação alguma com o outro: sua dor, seu prazer, seu corpo. A cena termina no orgasmo do ativo, como imagino terminam muitas relações.


Respostas

  1. Acho que a posição tomada por essas pessoas é a mais cômoda. Não no sentido de ficar a dispor do ativo…hehehe, mas de que é mais fácil julgar do que ser julgado. Perguntar o que o outro gostaria de fazer, coloca-o numa posição de julgado, pois as vontades dele podem chocar quem perguntou. Então é mais fácil sair pela tangente, deixar o outro decidir e julgá-lo. Ou não. Talvez ele nem vá julgar as vontades do outro, mas teme ser julgado pelas suas vontades.
    Claro que não descarto o bombardeamento que sofremos com a cultura de que passivos são submissos e ativos, dominadores porque isso fortalece esse medo de ser julgado. Ou de acabar com a noite. Quantos ativos numa primeira transa acham normal ficar submisso ao passivo? Claro que não estou falando do ativo ser penetrado pelo passivo…hehehe
    E para muitas pessoas, a primeira transa com uma pessoa que você conheceu a pouco tempo, não há intimidade o suficiente para falar de suas vontades e fantasias. Plus, o medo de ser julgado pelo outro.

  2. Oi Cohen! Compreendo o que você diz e concordo. É complicado, nas primeiras vezes, mostrar a um outro um pouco de nos, sem medo do julgamento ou da rejeição. Penso, entretanto, que é nestas primeiras vezes que se estabelecem os parâmetros das relações, ou seja, é pelo acontece nas primeiras vezes que um começa a conhecer o outro. Se não nos dizemos, ou seja, se não expressamos nossos desejos, como esperar que o outro nos conheça, nos aceite e nos deseje? Compreendo que tudo deve ser passo-a-passo, mas não compreendo a postura “submissa” que muitos expressam…

  3. Concordo contigo que é nessas primeiras vezes que se conhece o outro, mas as pessoas sempre acabam usando uma máscara. E geralmente essa máscara é o que a sociedade ou a cultura impõe, ou seja, se em filmes pornôs o passivo é submisso, então também serei submisso, pois como você disse é o que a maioria dos ativos espera. Quem sabe essa submissão está no inconsciente das pessoas e nem elas compreendem isso ou se dão conta disso.

  4. PessoALL, eu acho que o comum, padrão, é ter um ativo dominador que espera um passivo submisso. Concordo com o Cohen: é mais cômodo esperar que o ativo decida o que fazer e seguir a onda. Para o ativo, ele já está acostumado mesmo a dominar. E aí, é também só seguir a onda. Tem muita coisa da nossa cultura! Ativo é dominante, passivo é submisso. Fica a coisa da relação Homem X Mulher: cada um tem seu papel. O esquisito é um ativo que se submeta a um passivo muito dominante. Tenho dito, hehehe.

  5. Concordo com vocês dois. Cohen, acredito piamente nesta coisa de fazer o que se nos impõe. A “sociedade”, nossos grupos, todos dizem o que esperam de nos e nos seguimos o papel. Raul, “seguir a onda” é o mais fácil. E acho que seguir a onda tem a ver com o que esperam de nos… Acho que eu sou um pouco estranho. Apesar de imaginar o que esperam de mim, prefiro ir testando o que seria melhor no momento. Sinto-me mais verdadeiro assim. Mesmo com o risco de assustar o outro e perder uma chance de conhecer melhor este alguém.


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