Publicado por: Arthur | 19 Setembro, 2008

Ainda aos 20

Kissing

Por que não uma "inversão de papéis"?

Nós já estávamos namorando há quase dois meses. Encontrávamo-nos quase todos os dias e o sexo era cada vez melhor (principalmente por descobrirmos um “produto mágico”, chamado KY). Neste período, fomos acostumando com o corpo do outro e aprendendo a conhecer cada ponto que poderia trazer uma enxurrada de gemidos e sensações.

Desde o princípio ele nunca havia demonstrado interesse em penetrar-me. Quando lhe perguntei isso ele apenas informou que não tinha a menor intenção de fazê-lo. Achei estranho. A princípio porque eu tinha curiosidade em experimentar. Depois pelo o fato que penetrá-lo era tão prazeroso que eu ansiava por permitir a ele ter esse mesmo prazer comigo.

Eu sempre havia achado extremamente excitante o sexo. Imaginava, inclusive pelo que nos acontecia e como ele reagia à penetração e às minhas investidas, que ter um homem dentro de mim seria não apenas excitante, mas incrivelmente prazeroso.

Chegando aos três meses, resolvi propor uma inversão nos papéis. Ele achou estranhíssimo e disse que uma das coisas que o atraía em mim era o fato de eu ser ativo, mas carinhoso. Não gostava de pensar que eu queria tê-lo em mim. Mal sabia eu que isso seria o começo do fim…

Minha ingenuidade era imaginar duas coisas: primeiro o fato de querer que ele sentisse tanto prazer como eu. A segunda, dizia respeito à questão de estar com um cara que eu gostava e que confiava. Por isso eu queria ousar, experimentar algo que eu não conhecia e tinha grande curiosidade.

Eu não tinha muito contato com o mundo gay e nem imaginava que era um mundo onde havia a questão dos ativos X passivos. Para mim, penetrá-lo na primeira vez foi mais algo natural do que premeditado. Se ele tivesse tomado a decisão de penetrar-me, eu o teria aceito sem a menor dúvida.

O tempo passou e eu insisti que gostaria de experimentar. Uma noite, a contragosto, ele cedeu. Utilizando toda a “grande” experiência acumulada em três meses de namoro e sexo quase diário, iniciamos o processo inverso. Ele não tomou a iniciativa… Fomos tão carinhosos como sempre, mas quando se deu a penetração, para mim foi muito dolorosa. Surpreendi-me com o fato. Onde estava o prazer?

Ele foi um pouco desajeitado no princípio, tal como eu tinha sido na primeira vez. Não demonstrou muito prazer no ato. Eu estava frustrado. Não chegamos ao orgasmo, apesar de continuarmos excitados por todo o tempo. Foi a primeira noite que paramos para conversar e “discutir a relação”. Percebemos que nossa “intensa” vida sexual era satisfatória, mas tínhamos pouco em comum. Acabamos a noite com a dúvida: valeria a pena continuar a relação?

Depois daquela noite, saímos ainda três vezes. O sexo foi bom, mas havia a grande dúvida sobre o gostar. Com vinte anos, nós éramos os donos do mundo e todo ele estava aos nossos pés. Decidimos buscar outras pesoas e separamo-nos. Seguimos caminhos diferentes, desde então.


Respostas

  1. Adorei! Como sempre você descreve o contexto e as emoções. Isso me pega e me dá uma identificação total! Mas agora na real: você não curtiu ser passivo? Hoje só é ativo? Conta para mim (em private) se preferir.

  2. Lico, não. Naquela primeira vez não gostei nada de ser passivo! Não senti nenhum prazer, apenas dor e desconforto. Na verdade, fiquei frustrado, pois imaginava que fosse ser muito bom.

    Assim que tiver tempo escrevo um outro post sobre ser ativo (ou passivo).


Deixe uma resposta

Sua resposta:

Categorias