
Sempre as dúvidas...
O aniversário veio e foi. Deixou coisas boas como a certeza dos amigos, o carinho da família, as comemorações no trabalho, os encontros. Deixou, também, algumas dúvidas. Sempre as dúvidas e a reflexão.
Uma das coisas estranhas foi o fato de passar o aniversário solteiro. Depois de muitos anos acompanhado, foi o primeiro aniversário que passei sem um companheiro/namorado. Não senti solidão, pelo contrário, o tempo foi exíguo para conseguir conciliar as demandas dos amigos e da família. Na verdade foi gostoso sentir o carinho de todos.
Os amigos mais íntimos ficaram preocupados com minha situação de solteiro. Aqueles que acompanharam algumas fases de minha história sabem que gosto imensamente de compartilhar. Principalmente os bons momentos. A preocupação deles me afetou um pouco e acabei percebendo algo que creio importante: não estar com alguém é uma opção momentânea de não me lançar à toa. Explico: desde que minha última relação acabou não busquei ninguém. Na verdade nunca “busquei de fato” alguém. As pessoas que estiveram em minha vida, sempre apareceram e ocuparam seu próprio espaço. Não foram buscadas, efetivamente e “laçadas” para ocupar um vazio meu. Sei que meus vazios são vazios de fato! Não podem ser preenchidos por um alguém. Assim, eu sempre soube respeitar alguns espaços íntimos que sei nunca serão tomados por um Outro.
Conheci algumas pessoas neste período de solteirice. Alguns eram bem interessantes, outros nem tanto. Surpreendi-me com todos eles, fosse positiva ou negativamente.
O fato de garotos, na faixa dos 20, interessarem-se por mim foi surpreendente! Nunca havia imaginado atrair este tipo de olhar, em especial porque meu olhar para esta faixa é apenas “contemplativo”. Minha atração sempre esteve na faixa dos 30, mesmo quando eu tinha assumidos 20 anos. E os trintões que conheci me deixaram com um grande vazio… Enquanto os veinteañeros eram curiosos, interessantes, estimulantes e, até inocentes, os treintañeros mostraram-se distantes, assustados, indefinidos e, por que não, amargos… Claro que minha população restringiu-se a cinco indivíduos “pesquisados” em um universo de milhares de possibilidade e, não necessariamente, intimamente. Aliás, intimidade mesmo, apenas com dois deles.
Fico pensando que devo estar velho demais. “Ficar” com alguém é divertido, mas não me apetece, não preenche, não é significativo. Pode ser um momento delicioso, mas tão vazio de significado que me assusta. Não consigo apenas tocar um corpo estranho e atraente. Aquele corpo precisa ter significado para mim (loucura???).
Sempre ouço um amigo querido dizer-me que espero demais. E sempre respondo da mesma forma: quero mais da vida. Quero tudo que possa querer. Vivo apenas com paixão, apenas se me entrego. Preciso de significados e de razões (não necessariamente racionais) para investir em algo. É assim que me vejo e por isso mesmo, acho que nem sempre é simples encontrar alguém que compartilhe esta visão.




ARTHUR, SINTO QUE MUITA GENTE DA CASA DOS 30 ESTÁ SE TORNANDO A CADA DIA MAIS RESIGNADA COM CERTAS COISAS QUE DEVERIAM SER MUDADAS, TRABALHADAS. VEJO ISSO COM AMIGOS MEUS, DIZENDO QUE MORRERÃO SOLTEIROS, QUE NUNCA TERÃO UM AMOR DE VERDADE, ETC. OK, SE MORRER SOLTEIRO, MORREU, A GENTE NÃO SABE COMO TERMINAREMOS. MAS EU NÃO CONCORDO COM ESSA VISÃO DELES, NÃO FICO FAZENDO ESSAS AFIRMAÇÕES, FICO BRAVO, INCONFORMADO COM O QUE VEJO, QUERO MAIS, QUERO ALGUÉM DE VERDADE, POSSO DIZER QUE TENTO BUSCAR (DAS FORMAS QUE CONHEÇO) GENTE, FAZER CONTATOS, NÃO PARA ME PREENCHER UM VAZIO, MAS PARA DAR VAZÃO A UM SENTIMENTO QUE EXISTE DENTRO DE MIM, QUE JÁ APRENDI A DAR A MIM MESMO, MAS QUERO DAR PRA OUTRO TAMBÉM. AMOR. MAS ISSO DÁ MEDO, EM MIM E NOS OUTROS. BEM OU MAL, VOU ENFRENTANDO ESSE MEDO, DANDO UMAS CABEÇADAS, MAS ENFRENTANDO O MEDO DE AMAR. MAS, E O MEDO DE AMAR DOS OUTROS, DE SE ENVOLVER? ISSO NÃO TENHO COMO RESOLVER. BASTA TORCER PRA QUE EU ENCONTRE, DE NOVO, ALGUÉM QUE ESTEJA DISPOSTO A COMPARTILHAR SENTIMENTOS E VENCER O MEDO DE AMAR A MEU LADO, COMIGO. E SEI QUE O QUE ME ALIMENTA É A ESPERANÇA DE CONQUISTAR O QUE QUERO NA VIDA. AO CONTRÁRIO DE MUITOS AMIGOS MEUS TRINTÕES, SOU UM TRINTÃO QUE ACREDITA CADA VEZ MAIS. MAIS PÉ NO CHÃO, TENDO SOFRIDO MUITAS DECEPÇÕES COM O MUNDO, MAS ACREDITO, PORQUE SEI QUE MEREÇO E ME VEJO CADA VEZ MAIS COMO UM CARA BACANA, DIFERENCIADO.
Por: MARCUS em 10 Outubro, 2008
às 11:06
Oi Marcus!
Perfeito o comentário. E suas observações corroboraram muito do que penso e do que vejo em meus amigos e conhecidos. Felizmente há pessoas como você. Pessoas que acreditam e que confiam nessa crença. O poder de amar é algo extraordinário. Compartilhar esse sentimento, creio que é nossa realização enquanto humanos.
Falo um pouco mais de minhas observações sobre os trintões no post “Ontem e hoje”.
Bom contar com sua colaboração! Obrigado por compartilhar.
Grande abraço.
Arthur
Por: Arthur em 10 Outubro, 2008
às 12:07
Feliz aniversário atrasado. Deve estar otimo em todos os sentidos, pois está atraindo as atenções de todos, e isso é ótimo.
Por: Passageiro em 11 Outubro, 2008
às 22:03
Obrigado Passageiro. Tem sido um bom período. Não calmo, mas diferente e estimulante. Nada como ter amigos! Grande abraço.
Por: Arthur em 12 Outubro, 2008
às 10:32
Acho que o medo do envolvimento tem a ver com nosso imenso individualismo. A cada dia nos fazem crer que devemos ser nos mesmos ao invés de nos agregarmos a um grupo, a um casal. Isso nos leva, mesmo sem que percebamos, a uma postura egocêntrica, onde vemos apenas nosso lado, nossa vida. Como alguém com ego imenso pode conviver com outro?
Por: Raul em 16 Outubro, 2008
às 17:40