Publicado por: Arthur | 12 Novembro, 2008

Fiat lux

Deus disse: “Faça-se a luz e nasceu Isaac Newton”.

Fritjof Capra

Fritjof Capra

Quando Alexander Pope proferiu esta famosa frase, Newton já era considerado um grande expoente da ciência. Foi sobre a base da física de Newton que a ciência se estabeleceu, forte, definitiva. Para nós, reles mortais, o científico tomou o lugar do dogma religioso, definindo-se como verdade absoluta.

Se formos pensar sobre as implicações deste status de cientificidade, perceberíamos uma série de pontos bastante significativos em nossa realidade. Por um lado o científico torna-se o padrão, o normal, o esperado, o aceito. Por outro lado, apenas o fato cientificamente comprovado é valorizado e seu status de veracidade supera a mística da mera observação do mundo.

Os tempos seguem, os estudos prosseguem e surgem teorias como a relatividade de Einstein, ou Heisenberg com seu Principio da Incerteza e o florescimento de uma nova visão acerca da física, a perspectiva quântica (baseada nos estudos do próprio Werner Heisenberg). Neste momento, muitos conceitos da física de Newton começam a sofrer revezes. Os avanços da física quântica começam a causar grande movimento entre os teóricos.

Nos dias de hoje, vários autores teorizam a física. Entretanto, um deles, fugiu um pouco do campo árido das equações e da linguagem matemática, para explicar, de forma sensível e elegante, princípios e pressupostos de uma nova física. Seu nome, Fritjof Capra.

Na década de 1970, Capra escreveu seu famoso “O Tao da Física”, onde traça paralelos entre a física e o pensamento de correntes filosóficas orientais. Com “O Ponto de Mutação”, Capra adentra a questão dos paradigmas, já trabalhada por Kuhn. Em sua obra seguinte, “Sabedoria Incomum”, ele descreve suas conversas com vários expoentes das ciências e como estas conversas o ajudaram a construir “O Ponto de Mutação”.

Nas obras seguintes, “Pertencendo ao Universo”, “A Teia da Vida” e “As Conexões Ocultas”, Capra aproxima-se cada vez mais de uma perspectiva que valoriza as conexões entre diferentes construtos, o chamado pensamento sistêmico, e constrói o conceito de educação ecológica.

Por causa do lançamento de seu mais recente livro, “A ciência de Leonardo da Vinci”, Capra estará na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, hoje, dia 12 de novembro, para uma palestra e autógrafos. Algo que vale a pena conferir, considerando que frente aos nossos olhos há muitas verdades, poucas vezes percebidas.


Respostas

  1. Já li um texto do Ponto de Mutação. O cara é show, ele faz uma avaliação global de cada era da história humana e cria os conceitos de paradigmas. É nessa hora que eu queria morar em São Paulo.

  2. Oi Rafael. Capra é um dos teóricos que mais admiro. Assumo que sou seu fã. Já comprei o novo livro, onde ele fala da importância de Da Vinci para a ciência hoje. Muito bom!


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