
Assédio?
Aos poucos a vida vai voltando ao ritmo normal…
Ontem, conversando em um grupo de professores na Universidade, acabamos falando de relações entre professores e alunos.
O ponto que foi focado era o fato de que “nós professores”, acabamos sendo assediados pelos alunos. Vários professores (e professoras) deixaram claro que já sofreram algum assédio ou, pelo menos, insinuações a respeito. Um de nossos colegas (hétero, casado já há quase dez anos e com duas filhinhas), citou uma série de situações onde precisou “esquivar-se” de alunas mais afoitas para manter seu bom casamento. Na faculdade, nós sabemos, ele vive uma feliz vida de casado. Entretanto, também sabemos que ele corresponde a algum assédio de alunas. Não sabemos (embora imaginemos) que nível de correspondência é este.
Alguns de meus colegas sabem que sou gay. Aqueles que perguntam são sempre saciados em sua curiosidade mórbida. Outros nem cogitam a situação. Na verdade, as mulheres, por razões óbvias, são as que mais perguntam. Por razões óbvias, entenda-se: curiosidade de saber se um homem está “disponível” (no meu caso, sim, mas para outro homem).
A grande curiosidade era, pois, e comigo? Havia assédio do mesmo jeito por parte de alunos? E de alunas? Bom, fingi que não era comigo e passei da situação que poderia ser constrangedora.
Para falar a verdade, sim, já estive em algumas situações de assédio. O mais curioso é que, geralmente, de mulheres. É muito comum nas turmas a curiosidade de algumas alunas sobre o porquê de eu não usar aliança (exceto no tempo de casado), ou com quem eu moro… Na maioria das vezes, finjo que não é comigo e passo das perguntas – mudo de assunto. Entretanto, mais de uma vez tive que dizer com todas as letras: “sinto muito: não posso ter nenhum envolvimento no trabalho”.
Em parte é sério. Minha política sempre foi esta em qualquer universidade que tenha ministrado alguma disciplina. Nunca tive nenhum envolvimento com meus alunos, embora já tenha tido um breve relacionamento com um aluno da faculdade antes de saber que ele poderia ser meu aluno.
Nós nos conhecemos em um evento cultural da área e, conversando, acabamos saindo duas ou três vezes. Na primeira saída, foi claro falar de trabalho e descobri que ele estava em seu segundo curso superior (tinha a minha idade) e seria, no semestre seguinte, meu aluno. Acho, inclusive, que foi por essa situação (eu sinto que é meio “incesto” envolver-me com alunos) que a coisa desandou e qualquer desejo foi apagando-se aos poucos.
Já sofri assédio de alunos também. Na época estava namorando e quando estou em uma relação, é estranho, mas fico meio que alheio a cantadas, paqueras e similares. Na ocasião tive um aluno que claramente me disse que “faria tudo o que eu quisesse” para ter uma nova chance de fazer uma prova (fiquei com nojo). Outro que me perguntou, descaradamente, o que ele podia fazer para compensar algumas faltas… Respondi que ele podia fazer uma prova (depois dessa, ele abandonou a disciplina).
No momento tenho um aluno que teima em agarrar meu braço sempre para falar qualquer coisa. Se fosse uma aluna, eu entenderia, mas um aluno… Fico constrangido, mas passo de dizer algo ou dar a entender que estou percebendo alguma coisa. Com sinceridade, acho alguns de meus alunos lindos! Há vários que são exatamente o meu número (são raros os mais velhos, a maioria é de garotões). Mas eles não me despertam nenhum desejo em especial. Acho que é por que tenho alguma coisa de “pai”, em relação a eles…




Arthur, eu já tive relações no trabalho. De uma eu me arrependo. O cara era muito imaturo e sempre aramava um barraco quando a gente discutia. No outro caso apenas começou no trabalho. Ele era empregado de uma empresa que auditava nossas contas. Ficamos juntos por quase três anos. Ele sempre auditando minha empresa e, particularmente, minha casa.
Por: Raul em 13 Novembro, 2008
às 13:01
EU TAMBÉM ACHO QUE RELACIONAMENTO PROFESSOR-ALUNO PODE SER COMPLICADO, SE VOCÊ DÁ ULAS PARA A PESSOA. SE É DE OUTRA TURMA, OU CURSO, ACHO QUE NÃO HÁ PROBLEMA ALGUM. ASSIM COMO RELACIONAMENTOS EM TRABALHOS QUAISQUER, NÃO VEJO GRANDES PROBLEMAS, SE AS PESSOAS FOREM ADULTAS O SUFICIENTE. MAS ENTRE PROFESSOR(A) E SEU (SUA) ALUNO(A), ACHO QUE COMPLICA. NOTAS, PROVAS, RELAÇÃO EM SALA DE AULA… POSSO ESTAR ENGANADO, MAS ACHO MELHOR EVITAR, SE POSSÍVEL (E, SE NÃO FOR POSSÍVEL, DANE-SE, HEHE, SEJA FELIZ, MAS SEPARE MUITO TRABALHO DE AMOR E MELHOR MANTER A DISCRIÇÃO).
Por: MARCUS em 13 Novembro, 2008
às 16:01
É uma relação complicada, e nada ética. Eu já fiquei afim de um professor, achava ele lindo, mas ele era casado, e o pior de tudo, evangélico, resumnido, não deu em nada.
Teve outro caso de um professor que deu em cima de mim, eu não dei um fora nele, mas contei para ele que eu sou gay (novidade) e comecei a falar da minha relação com o Douglas, no final, ficamos amigos.
Por: Marcos Freitas em 17 Novembro, 2008
às 11:56
Marcos, sua saída foi ótima! Já me aconteceu coisa semelhante com uma aluna. Ela sentia-se tão rejeitada que preferi dizer o porquê de não aceitar sua “corte”… No final, terminou tudo bem e ela aceitou o fato que eu não cruzaria a linha do trem por ela.
Por: Arthur em 17 Novembro, 2008
às 12:49