Publicado por: Arthur | 5 Abril, 2009

Sensorial

Hálito

Hálito: a boca, de manhã cedo...

Depois das chuvas, frio, calor, mormaço, claro que entrei em uma crise alérgica violenta. A rinite evoluiu e me baqueou um tempo.

Tem uma coisa curiosa nas minhas crises. Durante e logo depois, a congestão nasal não me permite sentir sabores nem cheiros. É incrível como isso faz a vida ficar sem graça. Parece que não como! Sem sabor, não há nenhuma graça. É como se não comesse.

Os cheiros são um outro capítulo. Sem eles perco um bocado da noção. Gosto de cheiros. Sou muito sensorial. Gosto de usar todos os sentidos. Os cheiros me dão idéia do ambiente, das pessoas. Lembro de Caio Fernando Abreu, que fala de cheiros, relacionando-os a intimidade, a amor (!). Forte, mas interessante:

E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo, no tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As pessoas têm cheiros, é natural.


Respostas

  1. Eu também estou sofrendo muito com essa mudança climática. No meu caso já ataca a garganta. Concordo contigo quando aborda a questão do cheiro, das bocas e linguas no mais íntimo do ser humano.

    Faço coisas no meu namorado, que a pouquissimo anos atrás eu torceria a cara e falaria: Ai que nojo… Mas não há como virar o rosto para o tesão que nos envolve.

  2. Olá, conheci seu blog a poucos dias, mas já estou encantado com seus textos.
    Me deu até vontade de iniciar um pra mim.

    Espero que você continue escrevendo.

    Virei fã e seguirei acompanhando.

  3. Oi Marcos,

    Com o tempo, a intimidade, o querer torna-se muito mais importante que qualquer regra, norma, expectativa. E acho que isso é que é amor: entregar-se.

    Abraço,

    Arthur

  4. Olá Rafael,

    Bom saber de você por aqui. Fico feliz que você tenha gostado do que tem lido. Volte sempre! Estou em um período meio “ausente”, mas sempre que a palavra grita, tenho que vir registrá-la por aqui.

    Comece seu Blog, sim! É muito bom poder ter um espaço onde podemos nos expressar. Não esqueça de me passar o endereço.

    Volte sempre!

    Abraço,

    Arthur


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