Publicado por: Arthur | 18 Maio, 2009

O congresso

Um corpo perfeito

Um corpo perfeito

Eu voltara ao Brasil havia pouco tempo. Um colega da Bahia convidou-me para apresentar parte da minha Tese em um congresso que aconteceria em Salvador. Para mim, ir a um evento assim sozinho, sem o ex-marido, era novidade. Nos sete anos de relação, eventos eram verdadeiras luas-de-mel para nos. Mas o retorno, agora solteiro, me daria a oportunidade de discutir pontos que eu gostaria de aprofundar de meu trabalho. Assim aceitei o convite parti para Salvador.

Salvador já era uma cidade conhecida. Pontos turísticos lindos, pessoal acolhedor, clima ameno em pleno mês de julho. O congresso acontecia em um hotel em Ondina e fiquei hospedado ali mesmo. Cheguei em uma tarde de terça-feira, imaginando que teria toda a noite e o dia seguinte para preparar-me para minha apresentação (apenas na quinta pela manhã).

Depois de um bom banho, desci para um café. Eram umas 17:00hs e percebi que alguns membros do congresso chegavam, faziam check in e subiam para os quartos. Perdi-me nas lembranças de meus outros eventos e só acordei para a realidade quando ele sentou a minha frente. Imagino que pareci um pouco assustado, pois ele apressou-se em desculpar-se, dizendo que imaginava que eu não me importaria em dividir a mesa, considerando que não havia outro lugar para sentar. Assenti, parando, enfim, para observar meu companheiro de mesa. Negro, corpo magro por baixo de um blazer estilo Príncipe de Gales bege, camisa azul clara e jeans.

Ele ofereceu-me pães de queijo da cestinha que acompanhava uma enorme xícara de café. Eu agradeci olhando com curiosidade para a xícara imensa, ao que ele explicou que além de adorar café, ainda não tinha almoçado. Sorri complacente e para quebrar o silêncio comentei que ele realmente devia adorar café.

Foi o que bastou para, enquanto devorava os 12 pãezinhos de queijo (contei um a um) entremeados com longos goles de café preto, ele fazer um largo discurso sobre o café, seus tipos, a arte de tirar um bom expresso, suas torras e mesclas. Fiquei curioso e atento, até porque café é algo que me encanta, mas nunca imaginara tantas complexidades numa xicarazinha de expresso. O máximo que diferenciava era um bom Illy, Lavazza, ou Segafredo das mesclas comuns vendidas nos supermercados brasileiros. Nem imaginei fazer esta observação e demonstrar minha total ignorância!

Nossa conversa continuou por bastante tempo, o que me levou a acompanhá-lo em (mais) um café, agora com uma cheesecake. Ao poucos começamos a entrar em outros assuntos. Eu sentia como se o conhecesse de muito tempo. Era fácil conversar e nos sentíamos muito à vontade na conversa. Em dado momento, olhando para o relógio ele surpreendeu-se com a hora. Passava das oito. Disse-me que não tinha nenhum compromisso, mas gostaria de tomar banho e trocar a roupa. Ok, levantei e segui com ele para o elevador.

Ele anda estava com a mala. Junto com ela, uma pasta de lona marrom, com um notebook, imaginei e uma série de pastas, cheias de documentos. Ofereci para ajudar, considerando ele estar carregado. Agradeceu e subimos no elevador. Eu estava no 5º andar e ele no 12º. Ofereci para acompanhá-lo ao quarto e depois descer para meu andar. Ele agradeceu e continuamos conversando sobre amenidades. Na verdade ele falava de seu medo de lugares fechados, incluindo elevadores!

Um corpo sem pelos

Um corpo sem pelos

Chegamos a seu andar, andamos até sua porta. Ele a abriu, entrou colocando a mala logo junto a porta, recebeu as pastas de minhas mãos, olhou-me nos olhos e disse: preciso fazer algo que gostaria de ter feito desde que te vi pela primeira vez. Não sei por que me surpreendi quando ele me beijou – acho que eu já esperava e, principalmente, desejava aquilo! Mais alto que eu, ele desceu seus lábios sobre os meus com uma doçura incrível para um homem tão másculo.

Ainda estávamos na porta do quarto e ele puxou-me para dentro. O beijo foi apenas o início. Ele me pediu desculpas pelo “ato impensado”. Ao invés de desculpá-lo, beijei-o mais uma vez. Dessa vez senti seu corpo, abracei-o por baixo do blazer, sentindo suas costas largas. Ele tirou o blazer e continuamos com os beijos. Seus lábios grossos eram suaves, macios. Ele beijou meus olhos e seguiu beijando meu pescoço e minha nuca. Aquilo dava-e uma sensação louca de prazer, arrepios no corpo e uma cócega profunda.

Pediu-me desculpas e entrou no banheiro. Continuou falando comigo enquanto tomava uma ducha. Saiu do banho enrolado em uma pequena toalha branca que fazia um contraste incrível com a cor escura de sua pele. Sentou ao meu lado na cama. Voltamos aos beijos… Eu estava fascinado com seu corpo: magro, mas com todos os músculos definidos. Seu cheiro, abaixo do aroma do sabonete era forte, másculo. Pela primeira vez estava com um homem praticamente sem pelos. Seu corpo era quase todo liso, exceto no púbis e pernas.

Minhas experiências anteriores sempre me levaram a pensar em sexo apenas como penetração. Dois homens fariam sexo finalizando com a penetração de um pelo outro. Neste caso, era diferente. Em nenhum momento pensávamos nisso. Apenas exploramos nossos corpos, sentimos nossos cheios, gostos, a textura de nossas peles, nossos pelos. O prazer era elétrico. Arrepios por todo o corpo, cócegas em cada toque. Sorrisos e gemidos se confundiam. Os orgasmos vieram. A satisfação também e junto com ela um imenso desejo de beijos e abraços.

Ficamos juntos ainda algum tempo e descemos para jantar algo. Meu quarto tinha duas camas de solteiro. Nesta primeira noite, mudei-me para o dele, com cama de casal!

Passamos a quarta-feira juntos. Na quinta ele viajou para Itabuna, voltando na sexta.

Minha apresentação foi boa, discuti diversos temas de meu trabalho e levei várias contribuições.

Encontrei-o novamente no sábado, Ficamos juntos e viajamos de volta para nossos estados.

Mantivemos contato por algum tempo, ele morava em Londrina, mas viajava constantemente. Com tempo nos perdemos, embora ainda saibamos um do outro pelos e-mails. Aquele foi um grande congresso. Ele não tem idéia, mas ajudou-me muitíssimo em um momento de grande fragilidade: meu retorno, sozinho, a uma situação que não queria reviver.

Obrigado, Roberto.


Respostas

  1. O gostoso de ler seus post está na sensibilidade com a qual você brinca com as palavras possibilitando uma experiência sensitiva. Aroma, gosto, tato… nada passa despercebido.
    Você consegue escrever um encontro sexual sem transmitir a idéia de um “conto erótico” vulgar, até porque o sexo não é tema central e sim parte da trama de um encontro sexy, amigo, divertido e significativo.

    Abraços,

    Sonhador.

    http://www.lereveur85.wordpress.com

  2. Este post foi de tirar o fôlego… parabéns!

  3. Oi Sonhador,

    Obrigado por seu elogio! Acho que os posts são sensíveis porque são lembranças. Claro que não consigo lembrar todos os detalhes de tudo o que aconteceu. Mas lembro do conjunto, do contexto, das muitas sensações. Muitas das lembranças relatadas aqui foram muito marcantes e, vinculadas a elas estão sensações de tato (toques), cheiros, gostos, sons e flashes visuais. Eles me vêm às vezes como um raio, e me perco nas lembranças… Tenho medo de perdê-los e por isso os registro aqui. São pequenos pedaços da minha história.

    Bom compartilhar isso com você.

    Abração,

    Arthur

  4. Olá Rafael!

    Bom saber de você por aqui. Fico feliz que tenha gostado desta lembrança. Volte sempre!

    Abraço,

    Arthur


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