Publicado por: Arthur | 25 Maio, 2009

O passar dos anos

Decisão

Decisão

E com uma série de pequenos desgastes, fui parando aos poucos para pensar nos meus quarenta anos. Sim, devo completar quarenta ainda este ano, no finalzinho.

Eu sempre pensei em idade como marcos para algumas coisas. Aos 15 anos eu seria maduro. Aos 19, completamente independente. Aos 21 seria, além de adulto, responsável. Aos 25, profissional. Aos 30, estaria no ápice de minha beleza, fama e fortuna. Aos 35, casado, com filhos! Aos 40… Aos quarenta estaria

Nunca me pensei aos quarenta, mas o peso desta idade, especialmente na mídia brasileira sempre me assustou. Hoje, depois de conversar com uma amiga fiquei surpreso comigo. Depois de uma conversa leve, até meio divertida, ela me comentou: “Arthur, você está sem esperança! Por que está tão seco?”. E eu caí em mim.

Já há algum tempo que tenho me sentido amargo. Nada a ver com os quarenta, mas com uma incrível falta de urgência perante a vida. Surpreendentemente tenho deixado a vida acontecer. Tenho saído do meu papel de “desejante” para outro, mais desconhecido de “esperante”. Saí da postura de caçador de sonhos, de desejos e acomodei-me a uma realidade não querida: emprego estável, produção constante, aulas, pesquisa, alunos… Amigos fiéis, namoros rápidos (não por meu desejo)… E isso tudo tem me causado um grande desconforto.

Sei que para a maioria das pessoas uma vida com a estabilidade da minha seria o sonho. Mas para mim, que sempre fui incrivelmente insatisfeito, falta algo. Falta sucesso? Não, sucesso é contingencial, vai e vem de acordo com as circunstâncias. Falta dinheiro? Acho que sempre falta (risos). Mas isso é coisa que se arranja com trabalho, herança, golpe do baú, mega sena acumulada (mais e mais risos)… Falta amor? Acho que também! Também falta amor, um amor, mas não e só isso. Faltam significados, entre eles, um outro significativo.

É… Preciso voltar aos meus dias de desejante. Preciso voltar a crer, a confiar, a ver as pessoas e a realidade como fonte de realização, de vida, de desejo! Espero que minha visão dos quarenta seja assim: inacabada, pronta para uma constante construção, de preferência com alguém muito significativo ao lado…


Respostas

  1. Falta apaixonar-se, e não digo na questão sexual, mas apaixonar-se pela vida novamente. Eu estou chegando aos 30 e me encontro em desespero, quero que tudo aconteça rápido, determinei um marco na minha vida aos 30 e quero cumpri-lo.

  2. Ahhhh…

    Concordo com você: to com saudade de me apaixonar. Mas tudo a seu tempo. O que vier virá na calma do vento.

  3. Arthur,
    Adorei o seu texto… me identifiquei com ele!
    A coincidência… é que completo meus 40 anos no próximo mês e estou me sentindo assim…
    Mas quero… e preciso voltar urgente aos meus dias de “desejante”… é isso que nos motiva e nos dá energia para continuar a vida!

  4. Oi Shirley,

    Siiiiim! A cada dia tenho buscado este novo “apaixonar-se” como falou o Marcos acima. Encontrar novas razões para acreditar, para comprometer-me, para amar. Desejar! Ter novos sonhos, crer em cada um deles. “Trancar os dentes” e lutar por estas novas (antigas) visões.

    A gente consegue! Afinal, dizem que a vida começa aos 40. Precisamos “(re)nascer” nesta nova vida e lançarmo-nos ao mundo, prontos para o que der e vier. Agora com mais experiência, mas ainda com a inocência que faz o mundo abrir as portas, com o entusiasmo que faz a vida mostrar os caminhos e com a paixão, que ascende as luzes por onde passamos. Sim… …a gente consegue.

    Abração!

    Arthur

    P.S.: Feliz aniversário! 8)

  5. Obrigada Arthur!
    Vc tem razão em tudo que disse!
    Beijo grande!


Deixe uma resposta

Sua resposta:

Categorias