Publicado por: Arthur | 10 Julho, 2009

Eterna insatisfação

lo

Abdicar de algumas posturas

Já comentei que tenho um amigo que sempre está preocupado com o fato de não ter um namorado. Encontrei-o há pouco tempo e o papo foi “passar o dia dos namorados sozinho”. Já faz tempo que conversamos sobre isso (estar sozinho é o chavão dele para os amigos) e, de vez em quando, acho que meu Marte fica mal aspectado com meu Mercúrio e a língua pesa…

Lembrei que ele já teve e até ainda tem pretendentes. O fato certo é que ele espera o “Príncipe”. Mas só serve se for o “Príncipe”… Sempre há senões em todos os carinhas que ele conhece. Assim, acho que por causa do Marte, acabei sendo grosseiro… Lembrei o quanto ele sempre tem dificuldades para conviver com novas pessoas. O quanto precisa olhar menos para o umbigo e mais para o mundo. O pior de tudo é que ele assume o fato! Ele compreende perfeitamente que sempre usa “desculpas” para não engatar uma relação e depois começa a reclamar de sua própria solidão (buscada!!!). Entretanto, não consegue romper com esta situação. E, claro, fiquei pensando…

Eu compreendo que o tempo (os anos) nos levam a ter mais “neuras”. Em geral dizem que o tempo nos torna mais seletivos, mas eu assumo que esta história de ser seletivo é neura mesmo! Eu, pelo menos, quando conheço alguém, e vislumbro um possível problema futuro (criatura excesso de carência, gente ultra controladora, ciumentos extremados, carinhas em armários muito fechados, etc.), começo imediatamente a avaliar benefícios e custos… Sempre os custos parecem ser enooooormes e os benefícios pouco prazerosos. Por isso acabo desistindo de muitas oportunidades de conhecer melhor algumas pessoas. Isso não implica em afastar amigos ou não oportunizar uma relação de curiosidade com o outro, mas significa a postura clara de: “relação afetiva”? Nem pensar!

E é neste ponto que pareço com ele (e aí compreendo porque dei minhas “facadas” – as tais grossuras, por causa do Marte): nos não queremos abdicar de algumas de nossas posturas. Ele não quer abdicar de seus sonhos de encontrar o “Príncipe”, sua alma gêmea e, claro, da posição de “abandonado” (que lhe rende a atenção dos amigos). Eu não quero abdicar de minha liberdade, entendida como o fato de não ter que dar satisfações a alguém. Este sempre foi um de meus maiores conflitos: “liberdade e insegurança” X “segurança e falta de liberdade” ou sejam, “voar” X “criar raízes”. Mas isso já é coisa para um outro post.


Respostas

  1. [...] Julho, 2009 por Arthur Falando em dia dos namorados, vi um comercial da Aussie Bum que trata do assunto. Pena que acaba tão rápido! [...]

  2. Olá Arthur,

    Acabei por acaso em seu blog e me deliciei em suas palavras. Eu percebi que existem blogs com temáticas gays que fogem do usual superficial.
    Este post em particular retrata e define uma parte de meus amigos e inclusive já escrevi sobre isso.
    Parabéns

    WD”

  3. Oi WD!

    Bom que você gostou do Blog. Eu o tenho negligenciado estes meses. Muito trabalho e muitas viagens. Estou tentando atualizá-lo mais frequentemente. Apareça sempre!

    Você é bem vindo!

    Abraço,

    Arthur


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