Publicado por: Arthur | 10 Agosto, 2009

Por que é sábado

O que pasou...

O que pasou...

Minha última relação acabou a mais ou menos um ano atrás. Éramos amigos e ao tentarmos levar a situação para uma relação afetiva: não deu certo. O pior é que quando tentamos foi que vimos que, mesmo “amigos”, nós nos conhecíamos muito pouco. O choque de ir descobrindo o outro ao longo de momentos de mais intimidade foi crescendo e tornando a relação insustentável.

Depois do fim, tentamos manter a amizade, mas acabamos distanciando-nos e perdendo o contato quase diário que sempre tínhamos. Chegou um momento em que paramos de nos ver, paramos as ligações e creio que, por uma questão de respeito ao tempo um do outro, afastamo-nos realmente.

E na tarde de sábado, como um raio, partido do céu, ele materializa-se na minha frente. Um choque! Eu não soube bem o que fazer, o que dizer e, atônito, o acolhi em um abraço e aceitei seu beijo (no rosto). Conversamos, tempos e tempos. Relembramos os desgastes que passamos e como, pouco a pouco, fomos nos perdendo um do outro e de nós mesmos. Foi um momento catártico. Ele, uma pessoa calada, pôde se expor, enfim. Eu, extremamente racional, pude aceitar o fato de me deixar levar pelas emoções.

Nossa conclusão continua a mesma: somos amigos. Agora de forma mais difícil, pois vivemos situações que amigos, em geral, não passam. Meu gostar dele continua. De fato eu o amo realmente. Mas um amor realista, que não chega ao corpo. Mesmo assim, depois de conhecer alguém na cama, seus cheiros, gostos, os toques, algumas coisas ficam mexidas. Nem sempre é tão simples voltar a uma posição anterior. O que sobra de “lucro” da tarde de sábado é a certeza que temos condições de reinvestir na amizade. Que o afeto persiste, mas é a amizade o tom de nossa relação.


Respostas

  1. [...] um abraço Lembrar de algumas de situações antigas me traz de volta uma das músicas mais belas que conheço de Ney Matogrosso (composta por Cazuza e [...]

  2. Tenho muito medo de “exs” que se tornam amigos.

    Meu atual companheiro é amigo de quase todos os seus, mas tem um em particular que muito me incomoda.

    Eles se tiveram um relacionamento a uns 15 anos atrás que durou uns 5 anos (eu acho) e desde então seguem sendo melhores amigos.
    Minha situação é hiperdifícil, tenho que conviver pacificamente com o amigo, não tenho o que fazer, eu o amo e sei que ele me ama e que, de uma forma diferente, ama o amigo.

    Mas meu “6º sentido” vive me deixando em alerta máximo com relação ao amigo, nunca vi nem suspeitei de nada entre eles, mas este “amor-amigo” preservado me dói.

    Este amigo é o único “senão” da nossa relação, já tentamos conversar a respeito, mas esta conversa machuca muito a mim e a meu companheiro. Nunca fomos até o fim desta questão e acho que nunca iremos.

    Amar é complicado!

  3. Talvez sua amizade possa novamente, num futuro proximo, retornar a relação para oque ela era?

  4. Oi Rafael,

    Entendo o que você fala. Meu companheiro de sete anos teve e manteve uma relação profunda com a pessoa com quem vivia anteriormente. No princípio era muito desconfortável a situação para mim. Vê-los juntos era muito estranho, até porque meus “ex” não tinham a mesma proximidade comigo.

    Com o tempo fui percebendo que a relação deles era mais de amizade e vínculos que ficaram pelo tempo de convivência. Não havia nada de sexual entre eles, embora em um dado momento isso pudesse ter acontecido (motivo para outro post – mais longo e mais “doído”).

    O que foi mais interessante para mim nesta situação é que nunca senti ciúmes. Sentia, algumas vezes, magoado e até lesado, pelo fato de eu não poder compartilhar algumas coisas com ele, principalmente a cumplicidade que eles tinham em algumas situações. Deu para separar bem as coisas, mas só depois de muitas conversas necessárias, nem sempre com finais felizes.

    Sim, amar dá trabalho… É como aprender a ser e fazer pelo outro apenas pelo prazer de ser e de fazer, não esperando que a recíproca seja verdadeira.

    Um abraço e muito obrigado por compartilhar.

    Arthur

  5. Oi Roque,

    Estamos tentando isso. Ambos gostaríamos de conseguir resgatar a amizade como era, mas ficam alguns “gaps”. Tenho receio de conversar com ele sobre minhas vivências na área afetiva e ele fazer algum comentário lembrando nossa experiência juntos. Sei que ele evita dar algumas opiniões pela mesma razão. É isso que precisamos superar para seguir adiante.

    Abração!

    Arthur

  6. Arthur,
    espero que você escreva o seu “post – mais longo e mais ‘doído’”.

    Este assunto muito me interessa, pois são poucas as pessoas que compreendem o que eu passo.

    A duas semanas atrás tive uma notícia “boa”(no começo eu pensei ser boa). O tal amigo, que ,até então, morava a dois prédios de distância, teve de se mudar, está morando agora a umas 5 ou 6 quadras.

    Não posso ligar que senti um certo alívio e fiquei até feliz, mas isso durou só até o momento em que eu percebi o quão chateado meu companheiro ficou. O alívio foi substituído imediatamente por uma certa fúria interna, mas, mais uma vez, consegui contê-la e engarrafá-la, só espero que na hora em que eu abrir esta garrafa o gás já tenha acabado.

    Um abraço.

  7. Oi Rafael!

    Compreendo você. Lidar com certos fantasmas não é confortável nem saudável. É fácil quando a gente sabe claramente que existe “um rival”. Mas é complicado quando o outro nega a existência deste “rival” que nós sentimos.

    Compreendo você quando fala da fúria contida. Comigo a sensação era mais de mágoa, mais de impotência por não conseguir fazê-lo perceber que eu gostaria de poder compartilhar com ele coisas que ele compartilhava com o ex. Sentia-me “roubado” de momentos em que podíamos estar juntos e ele os gastava com o ex. Com o tempo aprendi a compreender as necessidades dele também. O problema não era que ele não pudesse ter seu tempo, seus programas, seus interesses com outra pessoa, mas que esta outra pessoa fosse o dito cujo ex!

    Conseguimos progredir neste assunto depois de muitas conversas. Prometi compreender suas necessidades de compartilhar com o outro e ele compreendeu que isso não era agradável para mim. Chegamos a um meio termo interessante, mas só depois de uma situação pesada que nos passou (o tal post doído). Preciso arranjar um tempinho e mais coragem para escrever! Mas sabe que é bom este tipo de “desabafo”?

    Obrigado por me incentivar.

    Um abração!

    Arthur


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